Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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A influência do punk e do hardcore na história, segundo Rodrigo Lima, do Dead Fish

Novo disco, Labirinto da Memória, segue o trabalho contestador da banda, mas resgata o passado

Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O novo trabalho do Dead Fish mantém as letras afiadas, desafiando o establishment. Mas, desta vez, a banda foi buscar inquietações já vividas para compor o disco.

Diferente do álbum anterior, Ponto Cego (2019), que era uma fotografia momentânea, o novo trabalho, como o próprio título sugere, é um Labirinto da Memória (gravadora Deck).

As músicas do vocalista Rodrigo Lima – boa parte em parceria com Álvaro Dutra – no disco recém-lançado remetem às suas lembranças de infância, nos tempos sombrios da ditadura, e às experiências mais recentes, sem tom nostálgico.

“Queria falar menos de uma circunstância de agora e ir para nossa memória sul-americana de tudo, de infância, estrutura econômica, estrutura social”, afirma Rodrigo.

“Tem muita coisa do estado onde nasci (Espírito Santo), das pessoas com quem convivi, colégio onde estudei. Tudo isso tentando trazer uma visão coletiva, sem ser temático como foi o último álbum.”

Segundo Rodrigo Lima, agora é preciso andar de outra forma. “Aprendo isso dentro do meu viés ideológico, que é a esquerda sul-americana, brasileira. A gente precisa achar uma nova forma de proceder no século XXI.”

“Esse é o meu trabalho desde sempre. Eu fico muito feliz por ainda ter oportunidade de falar, fazer e ter um certo reconhecimento”.

O novo álbum traz a essência sonora do Dead Fish: o punk e o hardcore. O vocalista prefere tratar o gênero musical da banda a partir de seu alcance ao longo dos anos.

Ele acha que a estrutura do punk não mudou nessas mais de quatro décadas de existência. “O punk nunca se tornou um grande poder, nunca quis ser isso”, afirma. “A velha estrutura punk hardcore de homens europeus brancos não é mais relevante 40 anos depois. Discordo quando dizem que nosso segmento amansou, tornou-se mais conservador.”

Ele acha que existe um campo muito fértil no gênero, embora não seja exposto.

“O punk e o hardcore estão além de sua estética. Isso está nas artes, e acredito que esteja dentro da política institucional e não institucional. Talvez ele não seja mais relevante nessa estética de música, mas o punk ensinou muito ao mundo o ‘do it youself’”, diz.

O artista ressalta que vários escritores, diretores de cinema e atores foram influenciados pelo punk e pelo hardcore.

“Não sofro com isso. Começo do punk no Brasil eram gangues que brigavam entre si, tinha essa coisa territorial. A gente pode pegar o punk de Brasília, que era mais de classe média-alta, que vem com Legião (Urbana) e Aborto Elétrico. Existiram muitas bolhas punks no País”, avalia. “A gente não estava interessada em se tornar um produto para as massas.”

A banda Dead Fish é formada ainda por Marcão Melloni (bateria), Ric Mastria (guitarra) e Igor Moderno (baixo).

Assista à entrevista de Rodrigo Lima, vocalista da banda Dead Fish, a CartaCapital:

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