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Toffoli fecha o cerco a Renan Santos em meio à rearrumação da direita

A decisão contra o candidato do partido Missão, a ascensão de Augusto Cury e as encrencas do banco Digimais foram o centro das discussões do ‘Direto da Redação’ desta segunda-feira 31

Toffoli fecha o cerco a Renan Santos em meio à rearrumação da direita
Toffoli fecha o cerco a Renan Santos em meio à rearrumação da direita
Toffoli proíbe Renan Santos de acessar dinheiro do Fundão e ir a debates | Direto da Redação, 31/08/2026 (Foto: CartaCapital)
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Eleições 2026

A decisão do ministro Dias Toffoli que barrou o acesso de Renan Santos — candidato à Presidência pelo partido Missão — aos recursos do Fundo Eleitoral e vetou sua participação em debates e sabatinas – impõe sufocamento financeiro e político à sua campanha. A punição decorre da omissão de perfis de redes sociais no ato do registro da candidatura junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que permitiria burlar as diretrizes de moderação algorítmica impostas pelas plataformas digitais neste pleito.

O tema foi um dos destaques da edição de segunda-feira 31 do Direto da Redação, programa ao vivo de CartaCapital, apresentado pelo editor Leonardo Miazzo, com participação de Thais Reis Oliveira, editora executiva, e Sérgio Lírio, redator-chefe de CartaCapital. O programa também abordou a crise financeira do Banco Digimais, controlado por Edir Macedo, a ascensão do candidato Augusto Cury nas pesquisas eleitorais e os 10 anos do impeachment de Dilma Rousseff.

A estratégia de asfixia digital e o isolamento de Renan Santos

A decisão de Toffoli acompanha o rigor do precedente do TSE estabelecido com Pablo Marçal. Ao omitir canais de redes sociais das listas protocolares do tribunal, a campanha do partido Missão abria margem para circular ao largo das restrições e dos filtros algorítmicos impostos às contas de candidatos. Na avaliação apresentada no programa, a manobra pode ter sido um movimento deliberado para criar um fato político e insuflar a retórica do campo da ultradireita, que tem nos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) o seu principal combustível de campanha.

O isolamento político de Renan Santos é acentuado por sua expressiva fragilidade eleitoral. Enquanto o levantamento Nexus aponta o candidato com apenas 3% das intenções de voto — empatado tecnicamente com Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP) — a pesquisa Atlas Intel o situa com 7,8%. Santos carrega ainda a maior rejeição deste pleito, com 67% de imagem negativa perante os eleitores, fruto de uma postura agressiva e estridente em debates.

O crescimento de Augusto Cury (e as suspeitas)

A grande surpresa da mais recente rodada de sondagens eleitorais é o avanço de Augusto Cury (Avante), que saltou de 2% para 11% na pesquisa Nexus e de 1,6% para 7,8% na sondagem Atlas Intel. De acordo com o cientista político Claudio Couto, o fenômeno assemelha-se à ascensão de figuras do mesmo espectro “coach” em disputas municipais anteriores, atuando como um elemento capaz de desidratar candidaturas da direita tradicional e capturar fatias do eleitorado de Flávio Bolsonaro (PL).

A plataforma eleitoral de Cury é sustentada por propostas de viabilidade questionável. Entre suas bandeiras estão o envio de influenciadores digitais para as embaixadas brasileiras e a descentralização do SUS por meio de atendimentos de telemedicina geridos por celebridades da internet. A sustentabilidade de sua candidatura, contudo, permanece em aberto.

Rombo de 8 bilhões de reais coloca banco de Edir Macedo em xeque

Para além das urnas, os holofotes da crise financeira e jurídica voltam-se para o império de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A reportagem de capa da edição desta semana de CartaCapital, assinada pelo jornalista Gilberto Nascimento, revela que o Banco Digimais enfrenta acusações de graves irregularidades fiscais, incluindo maquiagem contábil e superavaliação artificial de ativos, em um esquema semelhante ao registrado no Banco Master. A instituição lida com um déficit estimado em 8 bilhões de reais e corre risco iminente de liquidação caso o grupo não realize um aporte emergencial de 2 bilhões de reais até o dia 15 de março.

10 anos do golpe

Nesta segunda-feira 31, completam-se dez anos do impeachment que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, um processo cujos desdobramentos redefiniram as instituições nacionais. O repórter Vinícius Nunes, de Brasília, nota que as trajetórias dos protagonistas daquele episódio sofreram profundas reviravoltas: Dilma preside o Banco do BRICS, Jair Bolsonaro encontra-se preso sob acusação de tentativa de golpe, e figuras como Aécio Neves e Eduardo Cunha tentam reestruturar suas bases eleitorais no estado de Minas Gerais.

O processo foi também impulsor de uma hipertrofia do Legislativo, que estabeleceu um semipresidencialismo informal sustentado pelo controle impositivo do orçamento. Para o redator-chefe de CartaCapital, Sérgio Lírio, e a editora-executiva Thais Reis Oliveira, o sequestro de verbas federais por meio de emendas secretas debilita a governabilidade do Executivo, transformando o Congresso em um bunker corporativista e um persistente fator de desestabilização da democracia brasileira.

Andrei Rodrigues recusa trégua com André Mendonça

De acordo com informações de bastidores obtidas pela repórter Maiara Marinho em Brasília, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, descarta recuar de uma ação protocolada na Advocacia-Geral da União (AGU) contra atos do ministro André Mendonça, do STF. Rodrigues rejeitou inclusive a possibilidade de reuniões de conciliação para dirimir o impasse nas investigações sobre fraudes no INSS. O conflito instalou-se após o ministro exigir a remessa imediata de relatórios e tentar exercer controle sobre a equipe investigativa da corporação.

A PF enxerga as ordens de Mendonça como uma interferência direta nas atribuições da corporação. Apesar de movimentos de trégua buscados pelo Palácio do Planalto e pela presidência do Supremo, o impasse se mantém.

O Direto da Redação vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 17h, no canal de CartaCapital no YouTube. Assista abaixo à íntegra do programa de 31 de agosto de 2026:

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