Economia
Governo ouvirá empresários antes de decidir sobre reciprocidade contra os EUA, diz Durigan
O ministro da Fazenda afirmou que eventual reação ao tarifaço será avaliada com cautela e que a abertura do processo não significa aplicação imediata de contramedidas
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira 14 que o governo ouvirá empresas brasileiras e estrangeiras antes de decidir se adotará medidas de reciprocidade contra o tarifaçio imposto pelos Estados Unidos. Segundo ele, a abertura do processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica não significa que o Brasil necessariamente aplicará novas tarifas.
“O processo de reciprocidade, num país que é sério e que quer ouvir quem é afetado pela reciprocidade, demanda oitivas de eventuais interessados e eventuais impactados por uma medida de reciprocidade que pode vir ou não a ser adotada no futuro”, disse Durigan a jornalistas.
O ministro declarou que o primeiro passo será identificar os efeitos que uma eventual reação brasileira teria sobre os setores envolvidos. A consulta deverá alcançar tanto o empresariado nacional quanto companhias estrangeiras que atuam no Brasil.
“Como a gente percebe que o mundo hoje anda muito fechado para esse tipo de participação, o primeiro impacto é a gente poder colher, em especial do empresariado brasileiro, mas também do empresariado do exterior, quais seriam os impactos e as preocupações que eles têm com eventuais medidas de reciprocidade.”
Durigan reforçou que o governo pretende conduzir a avaliação com “muita cautela e muita responsabilidade”. A Lei da Reciprocidade Econômica foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional e permite a adoção de contramedidas diante de determinadas ações comerciais consideradas prejudiciais ao Brasil.
Brasil começa a se mover
O governo informou na quinta-feira 13 que iniciou o procedimento para avaliar o enquadramento das medidas adotadas pelos Estados Unidos na Lei da Reciprocidade. A abertura do processo ocorre após a imposição de tarifas que, para determinados produtos brasileiros, chegam a 37,5%.
A legislação foi sancionada em abril de 2025, após as primeiras ameaças de sobretaxas do governo de Donald Trump. O mecanismo prevê análise técnica e consultas antes de uma eventual decisão sobre contramedidas.
O Brasil também já acionou a Organização Mundial do Comércio contra o tarifaço. Paralelamente, o governo afirma que continuará a buscar negociações e a diversificação de mercados para os produtos brasileiros.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



