Política

O que diz a Lei da Reciprocidade, evocada por Lula em resposta a tarifas de Trump

A legislação está em vigor desde abril deste ano

O que diz a Lei da Reciprocidade, evocada por Lula em resposta a tarifas de Trump
O que diz a Lei da Reciprocidade, evocada por Lula em resposta a tarifas de Trump
Lula e Donald Trump. Fotos: Brendan Smialowski e Patrick T. Fallon/AFP
Apoie Siga-nos no

Ao reagir à tarifa de 50% para importação de produtos brasileiros, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou a Lei da Reciprocidade. O mecanismo é novo. Foi sancionado há três meses, quando Trump deu início a seu ‘tarifaço’ de escala global.

A medida foi assinada por Lula em 11 de abril, sem vetos. A lei permite ao governo federal reagir a países ou blocos econômicos que criarem medidas de restrição às exportações brasileiras — sejam de natureza comercial (sobretaxas) ou de origem do produto (de área desmatada, por exemplo).

O projeto tinha sido aprovado pelo Congresso Nacional dias antes, e ganhou força em meio à guerra comercial promovida por Trump.

No dia 2 de abril, produtos brasileiros já tinham sido alvo de taxa. Na época, bem menor: 10%. Também havia sido anunciada uma tarifa de 25% sobre o aço e o alumínio importados pelos norte-americanos, uma medida que também atingiu o Brasil, segundo maior fornecedor de aço aos Estados Unidos. Naquele momento, porém, o governo brasileiro preferiu não reagir.

A Lei da Reciprocidade prevê que as seguintes ações protecionistas podem provocar contramedidas do governo brasileiro:

  • interferência em escolhas soberanas do Brasil por meio de adoção de medidas comerciais unilaterais;
  • violação de acordos comerciais; ou
  • exigência de requisitos ambientais mais onerosos do que os parâmetros, normas e padrões de proteção ambiental adotados pelo Brasil, descritos no Acordo de Paris, no Código Florestal Brasileiro, na Política Nacional de Mudança Climática e na Política Nacional de Meio Ambiente.

Entre as respostas que podem ser adotadas pelo Brasil estão. Não está claro ainda, contudo, como (e se) o país levará a cabo estas medidas.

  • imposição de tributos, taxas ou restrições sobre importações de bens ou serviços de um país;
  • suspensão de concessões comerciais ou de investimentos; e
  • suspensão de concessões relativas a direitos de propriedade intelectual.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo