Justiça

Ex-marido de Maria da Penha é preso após entrevista à Record sobre tentativa de feminicídio

Juiz do Ceará entendeu que Marco Antônio Heredia Viveros descumpriu medida cautelar que o impedia de falar sobre o caso e proibiu reportagem de ser veiculada

Ex-marido de Maria da Penha é preso após entrevista à Record sobre tentativa de feminicídio
Ex-marido de Maria da Penha é preso após entrevista à Record sobre tentativa de feminicídio
Ativista Maria da Penha. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O colombiano Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha Maia Fernandes, foi preso neste domingo 9 em Natal (RN), após descumprir uma medida judicial que o proibia de divulgar informações relacionadas ao processo em que foi condenado pela tentativa de matar a ativista cearense.

A prisão preventiva foi decretada na véspera pelo juiz Cesar Morel Alcantara, durante o plantão judicial, após pedido do Ministério Público do Ceará. A ordem foi cumprida pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte em uma ação articulada com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público potiguar.

De acordo com o MPCE, Viveros concedeu entrevista ao jornalista Roberto Cabrini para o programa Domingo Espetacular, da Record TV, sobre a tentativa de feminicídio cometida contra a ex-mulher há mais de 30 anos. A decisão também determina a proibição da veiculação da reportagem, cujos trechos vinham circulando nas redes sociais nos últimos dias.

Para a Justiça, havia indícios suficientes de descumprimento de medida protetiva de urgência, conduta prevista no artigo 24-A da Lei Maria da Penha. A decisão também levou em conta que Viveros havia sido formalmente informado sobre as restrições impostas pela Justiça e sobre as consequências de eventual violação.

Além da prisão preventiva, o juiz determinou a retirada imediata do ar dos conteúdos relacionados à entrevista e proibiu a veiculação da reportagem ou de materiais derivados dela em qualquer plataforma. A decisão determinou ainda que fossem preservados arquivos, registros de edição, contratos, comunicações internas e demais documentos relacionados à produção do conteúdo.

Em caso de descumprimento das determinações, foi estabelecida multa diária de 100 mil reais. A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Viveros nem com a Record. O espaço segue aberto a eventuais manifestações.

Na sexta-feira, a edição da lei que leva o nome da ativista completou 20 anos, num marco para o combate da violência contra a mulher. A Justiça concedeu 336.630 medidas protetivas de janeiro a junho de 2026, o equivalente a duas decisões favoráveis às mulheres por minuto, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça.

Ao mesmo tempo em que a procura pelos mecanismos de proteção cresce, porém, a violência letal não recou: o País registrou 1.571 feminicídios em 2025, maior número da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

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