Mundo
Lula indica que tentará contato com Trump nos próximos dias
Relação entre Brasil e EUA passa por crise inédita, marcada por tarifaços, impasses diplomáticos e medidas adotadas pelos dois governos
O presidente Lula (PT) indicou que tentará conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nos próximos dias. A disposição foi manifestada primeiro em entrevista ao canal Os Três Elementos, na quarta-feira 5, e reforçada, horas depois, em uma reunião com congressistas do PSOL e da Rede no Palácio da Alvorada, onde recebeu o apoio formal da federação à sua candidatura à reeleição.
Na entrevista, Lula disse que já conversou com o presidente da China, Xi Jinping, e com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para defender uma reunião dos integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU em busca de uma saída negociada para a guerra na Ucrânia. “Na semana passada, liguei para o Xi Jinping para falar da necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Ontem falei com meu amigo Putin […] e vou falar com o Trump também”, afirmou. Em seguida, apelou para que as grandes potências retomem o diálogo. “Se reúnam, pelo amor de Deus. São os membros mais importantes do Conselho de Segurança, as três maiores potências. Se reúnam e coloquem fim nesse conflito.”
Segundo relatos de participantes da reunião no Alvorada, Lula voltou a dizer que pretende procurar Trump na próxima semana. A fala ocorreu enquanto defendia uma atuação mais efetiva das principais potências para tentar encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Até o momento, porém, não há data definida para um eventual telefonema. Também não foi informado se uma conversa entre os dois presidentes trataria apenas do conflito no Leste Europeu ou se incluiria a deterioração das relações entre Brasília e Washington.
Ainda de acordo com participantes do encontro com PSOL e Rede, Lula voltou a manifestar preocupação com uma possível interferência do governo Trump nas eleições brasileiras e citou nominalmente o presidente norte-americano e o secretário de Estado, Marco Rubio, ao tratar do cenário político internacional.
A sinalização ocorre em meio ao momento mais delicado da relação entre Brasil e Estados Unidos desde o retorno de Trump à Casa Branca. Nas últimas semanas, os dois governos trocaram medidas diplomáticas; Washington impôs novos tarifaços sobre produtos brasileiros; revogou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti; e prorrogou por mais um ano o estado de emergência relacionado ao Brasil. O governo Lula, por sua vez, sustenta que os Estados Unidos têm adotado medidas de pressão política e acusa a gestão Trump de tentar interferir no processo eleitoral brasileiro.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



