Justiça

Flávio invoca campanha ‘Haddad é Lula’ para defender vídeo de Jair Bolsonaro com IA

Embora estivesse preso em Curitiba em 2018, o petista não cumpria prisão domiciliar nem estava sujeito às cautelares hoje impostas ao ex-capitão

Flávio invoca campanha ‘Haddad é Lula’ para defender vídeo de Jair Bolsonaro com IA
Flávio invoca campanha ‘Haddad é Lula’ para defender vídeo de Jair Bolsonaro com IA
Vídeo exibido na convenção do PL no sábado 25 mostra uma versão de Jair Bolsonaro feita por IA declarando apoio ao filho Flávio. Foto: Reprodução YouTube
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Eleições 2026

A defesa do candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral que rejeite a ação apresentada pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) contra o vídeo produzido com inteligência artificial que simulou uma mensagem de Jair Bolsonaro durante a convenção nacional do partido, no último sábado 25. 

Na manifestação, os advogados sustentam que o conteúdo foi exibido em um ambiente exclusivamente intrapartidário, não configurou propaganda eleitoral antecipada e não violou as regras da Justiça Eleitoral sobre o uso de inteligência artificial. 

A principal linha de defesa é a de que convenções partidárias existem justamente para que pré-candidatos “possam e devam falar de seus projetos, exibir seu grupo político e respectivas lideranças e pedir apoio político”. Na mensagem exibida na convenção, argumentam, Bolsonaro limitou-se a pedir que os eleitores “recebam de braços abertos a pessoa que eu escolhi para me substituir” e a afirmar que “o futuro é Flávio Bolsonaro”, sem fazer referência ao cargo disputado, à data da eleição ou apresentar pedido explícito de voto. 

A petição afirma que tratar esse tipo de manifestação como ilícita representa uma “pretendida criminalização da transferência de capital político”. Para a defesa, endossos, sucessões e recomendações entre lideranças fazem parte da dinâmica da atividade política e não podem ser tratados como infração eleitoral. 

Para reforçar a tese, os advogados recorrem à eleição presidencial de 2018. A manifestação reproduz peças de campanha nas quais Fernando Haddad, então candidato do PT, aparecia associado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio dos slogans “Haddad é Lula” e “Lula é Haddad”.

O documento também menciona imagens de apoiadores usando máscaras com o rosto de Lula em atos políticos. Naquele momento, o petista estava preso em Curitiba. Para a defesa de Flávio Bolsonaro, os episódios demonstrariam que a transferência simbólica de liderança e as manifestações públicas de apoio são práticas recorrentes nas campanhas eleitorais.

A comparação ignora, contudo, uma diferença central: embora estivesse preso em Curitiba em 2018, Lula não cumpria prisão domiciliar nem estava sujeito às cautelares hoje impostas a Bolsonaro, entre elas a proibição de utilizar redes sociais, inclusive por meio de terceiros — circunstância que acrescenta uma dimensão jurídica específica à exibição do avatar.

O então candidato à Presidência da República pelo PT em 2018, Fernando Haddad, segurando máscara de Lula. Foto: Ricardo Stuckert

Em relação ao vídeo produzido por inteligência artificial, os advogados afirmam que ele não pode ser enquadrado como deepfake. Segundo a manifestação, houve “transparência integral”, ausência de falsidade e de potencial para induzir o público a erro, já que o vídeo começava informando expressamente tratar-se de uma simulação feita com inteligência artificial. A defesa ainda compara o recurso tecnológico a “bonecos de papel, imagens em cartazes, máscaras, camisas e cartazes” tradicionalmente utilizados em convenções e campanhas, classificando o avatar digital como uma versão contemporânea desses instrumentos. 

A utilização, no entanto, esbarra em regras do TSE para as eleições de 2026, já que as normas vigentes proíbem o uso de conteúdo sintético em áudio e vídeo para favorecer ou prejudicar candidaturas quando a tecnologia cria, substitui ou altera a imagem ou a voz de uma pessoa, ainda que haja autorização do retratado. A identificação de que o material foi produzido por inteligência artificial é obrigatória, mas, segundo a própria resolução, essa rotulagem não afasta a proibição nem torna o conteúdo automaticamente lícito.

A ação da Federação Brasil da Esperança foi apresentada após a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O grupo pede ao TSE a retirada do vídeo das plataformas digitais, a proibição de novas divulgações e a aplicação de multas por propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial. O caso está sob relatoria do ministro Nunes Marques e ainda aguarda decisão. 

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