Justiça
Coordenador da campanha de Lula em SP defende ir à Justiça após vídeo de Bolsonaro com IA
Para Marco Aurélio de Carvalho, a convenção do PL ‘cruzou linhas perigosas’ na eleição
Coordenador da campanha à reeleição do presidente Lula (PT) em São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho defendeu acionar o Tribunal Superior Eleitoral após o PL exibir, em convenção nacional realizada neste sábado 25, um vídeo de Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial. O evento confirmou o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Na gravação, a imagem de Jair chama de injusta a prisão do ex-presidente e pede apoio dos seguidores a Flávio, “sangue do meu sangue”. A convenção do PL também foi marcada pela participação do presidente da Argentina, Javier Milei, que ofendeu o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a quem se referiu como “lixo careca”.
Carvalho afirmou a CartaCapital que o ato do PL “cruzou linhas perigosas de forma proposital e reiterada”. Houve, segundo ele, “interferência ostensiva de um país estrangeiro em eleições nacionais e o uso fraudulento da inteligência artificial”.
O advogado, coordenador do Grupo Prerrogativas, disse que a peça de IA funcionou como um instrumento para burlar a proibição imposta pelo STF a manifestações políticas de Jair. “A impressão que passa é que eles fazem a estratégia de tentativa e erro: dão dois passos à frente e, se a gente não grita, não recuam.”
A deputada federal Dandara (PT-MG) já solicitou à Procuradoria-Geral da República uma investigação sobre o vídeo de IA. Ela defendeu a “cassação da candidatura de Flávio” e a volta de Jair ao Complexo Penitenciário da Papuda — neste momento, o ex-presidente cumpre em prisão domiciliar a pena de 27 anos por liderar a tentativa de golpe de Estado.
Enquanto isso, a defesa de Jair Bolsonaro busca afrouxar a lista de restrições fixadas por Moraes. Na última sexta-feira 24, por exemplo, apelou contra a decisão que proíbe o ex-presidente de receber visitas político-eleitorais e de divulgar “manifestos político-eleitorais”.
De acordo com o agravo regimental, a suspensão dos direitos políticos em decorrência da condenação pela trama golpista “não autoriza a imposição de limitações à liberdade de pensamento e de manifestação de ideias”.
Moraes assinou a decisão após Flávio ler em uma transmissão ao vivo na internet, em 11 de julho, uma carta escrita pelo pai em apoio à sua candidatura. Para o ministro, houve desvio de finalidade no direito de visita do senador, também registrado como advogado do pai. Uma das medidas cautelares fixadas para manter a prisão domiciliar proíbe Jair de utilizar as redes sociais, diretamente ou por meio de terceiros.
Ao suspender também por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, o ministro afirmou que o texto da carta comprova que Jair pretendia se comunicar com seus apoiadores por meio das redes sociais do filho. Para justificar a suspensão da divulgação de manifestos político-eleitorais, o ministro relembrou que o ex-presidente perdeu os direitos políticos ao sofrer a condenação por tentativa de golpe.
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