Justiça

Coordenador da campanha de Lula em SP defende ir à Justiça após vídeo de Bolsonaro com IA

Para Marco Aurélio de Carvalho, a convenção do PL ‘cruzou linhas perigosas’ na eleição

Coordenador da campanha de Lula em SP defende ir à Justiça após vídeo de Bolsonaro com IA
Coordenador da campanha de Lula em SP defende ir à Justiça após vídeo de Bolsonaro com IA
Vídeo exibido na convenção do PL neste sábado 25 mostra uma versão de Jair Bolsonaro feita por IA declarando apoio ao filho Flávio. Foto: Reprodução YouTube
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Eleições 2026

Coordenador da campanha à reeleição do presidente Lula (PT) em São Paulo, o advogado Marco Aurélio de Carvalho defendeu acionar o Tribunal Superior Eleitoral após o PL exibir, em convenção nacional realizada neste sábado 25, um vídeo de Jair Bolsonaro (PL) produzido com inteligência artificial. O evento confirmou o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Na gravação, a imagem de Jair chama de injusta a prisão do ex-presidente e pede apoio dos seguidores a Flávio, “sangue do meu sangue”. A convenção do PL também foi marcada pela participação do presidente da Argentina, Javier Milei, que ofendeu o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a quem se referiu como “lixo careca”.

Carvalho afirmou a CartaCapital que o ato do PL “cruzou linhas perigosas de forma proposital e reiterada”. Houve, segundo ele, “interferência ostensiva de um país estrangeiro em eleições nacionais e o uso fraudulento da inteligência artificial”.

O advogado, coordenador do Grupo Prerrogativas, disse que a peça de IA funcionou como um instrumento para burlar a proibição imposta pelo STF a manifestações políticas de Jair. “A impressão que passa é que eles fazem a estratégia de tentativa e erro: dão dois passos à frente e, se a gente não grita, não recuam.”

A deputada federal Dandara (PT-MG) já solicitou à Procuradoria-Geral da República uma investigação sobre o vídeo de IA. Ela defendeu a “cassação da candidatura de Flávio” e a volta de Jair ao Complexo Penitenciário da Papuda — neste momento, o ex-presidente cumpre em prisão domiciliar a pena de 27 anos por liderar a tentativa de golpe de Estado.

Enquanto isso, a defesa de Jair Bolsonaro busca afrouxar a lista de restrições fixadas por Moraes. Na última sexta-feira 24, por exemplo, apelou contra a decisão que proíbe o ex-presidente de receber visitas político-eleitorais e de divulgar “manifestos político-eleitorais”.

De acordo com o agravo regimental, a suspensão dos direitos políticos em decorrência da condenação pela trama golpista “não autoriza a imposição de limitações à liberdade de pensamento e de manifestação de ideias”.

Moraes assinou a decisão após Flávio ler em uma transmissão ao vivo na internet, em 11 de julho, uma carta escrita pelo pai em apoio à sua candidatura. Para o ministro, houve desvio de finalidade no direito de visita do senador, também registrado como advogado do pai. Uma das medidas cautelares fixadas para manter a prisão domiciliar proíbe Jair de utilizar as redes sociais, diretamente ou por meio de terceiros.

Ao suspender também por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, o ministro afirmou que o texto da carta comprova que Jair pretendia se comunicar com seus apoiadores por meio das redes sociais do filho. Para justificar a suspensão da divulgação de manifestos político-eleitorais, o ministro relembrou que o ex-presidente perdeu os direitos políticos ao sofrer a condenação por tentativa de golpe.

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