Justiça

Moraes pede parecer da PGR sobre possível falta grave de Bolsonaro após caso da arma apreendida

Em depoimento, o ex-presidente admitiu que mantinha a pistola durante a prisão domiciliar, argumentando que ‘não podia ficar desarmado’ porque havia ‘três mulheres’ em casa

Moraes pede parecer da PGR sobre possível falta grave de Bolsonaro após caso da arma apreendida
Moraes pede parecer da PGR sobre possível falta grave de Bolsonaro após caso da arma apreendida
O ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por golpe de Estado. Foto: Antonio Augusto/STF
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira 24 que a Procuradoria-Geral da República se manifeste, no prazo de 48 horas, sobre um eventual cometimento de falta grave pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no episódio envolvendo a apreensão de uma pistola registrada em seu nome. Após o parecer da PGR, a defesa também terá igual prazo para apresentar suas alegações.

A decisão foi tomada no âmbito da execução da pena de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária por determinação de Moraes. No despacho, Moraes cita o depoimento prestado pelo ex-presidente à Polícia Civil do Distrito Federal, no qual ele reconheceu ser o proprietário da arma e confirmou que ela permanecia em sua residência durante o cumprimento da prisão domiciliar. Segundo o ministro, Bolsonaro declarou ainda que “tinha três mulheres em casa e eu não podia ficar desarmado”. 

Ao fundamentar a abertura do procedimento, Moraes afirma que a Lei de Execução Penal considera falta grave o ato de “possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem”. 

O ministro também destaca que o reconhecimento de uma eventual falta grave pode produzir consequências na execução da pena, como regressão do regime de cumprimento, inclusive “com a cessação da prisão domiciliar”, além de outras sanções previstas na Lei de Execução Penal. 

O caso teve origem após a apreensão, em 15 de junho, de uma pistola Glock calibre 9 milímetros registrada em nome de Bolsonaro durante uma abordagem da Polícia Militar do Distrito Federal. A arma estava no veículo conduzido por um sargento do Exército que integra a equipe de segurança do ex-presidente. Segundo o militar, o armamento havia sido retirado da residência de Bolsonaro para que fosse verificada uma falha mecânica e seria devolvido no dia seguinte.

Em depoimento prestado na terça-feira 23, Bolsonaro reafirmou a versão apresentada anteriormente por sua defesa ao STF. Os advogados sustentam que a pistola estava regularmente registrada, que não havia determinação judicial para sua entrega e que o ex-presidente apenas solicitou a um integrante de sua segurança que verificasse o defeito constatado no armamento. A defesa também pede o arquivamento da investigação.

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