Economia
O recado de Gilmar Mendes sobre o risco das ‘pautas-bomba’
A declaração do decano acontece em meio ao avanço no Congresso de projetos que podem onerar os cofres públicos em 270 bilhões de reais
Em meio ao avanço no Congresso de pautas que podem onerar os cofres públicos em 270 bilhões de reais, o decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, utilizou suas redes sociais nesta quarta-feira 10 para fazer uma defesa da responsabilidade fiscal.
Na publicação, o magistrado alertou que a criação de despesas sem a devida indicação de recursos financeiros fere a Constituição e pode ser invalidada pelo Judiciário. Ao analisar um panorama internacional que classificou como “turbulento”, Mendes destacou a necessidade de uma especial “atenção aos fundamentos de uma economia de mercado forte”.
“Penso que a estabilidade macroeconômica é premissa básica para o desenvolvimento de qualquer País, e para isso é necessário que haja responsabilidade fiscal”, emendou o ministro, sem citar propostas específicas.
Ele também citou uma série de dispositivos da Constituição que exigem o planejamento e a sustentabilidade da dívida pública. “É preciso, pois, ter responsabilidade fiscal e fidelidade à Constituição, evitando-se a criação de despesas casuísticas em inobservância às regras postas, o que pode gerar a invalidação da medida e, portanto, sua ineficácia”.
Um dias antes, ministros do governo Lula procuraram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar frear o avanço das chamadas pautas-bomba. Tiveram reuniões com o chefe da Casa Dario Durigan (Fazenda), José Guimarães (Relações Institucionais) e Bruno Moretti (Planejamento).
Uma das propostas que preocupam o Palácio do Planalto é o projeto de lei que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais. O texto foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos e tem um impacto estimado de 120 bilhões de reais nas contas públicas nos próximos 10 anos.
Também há receio com o custo de uma proposta de emenda à Constituição que concede aposentadoria integral e com paridade a agentes de saúde também, aprovada pela Câmara no ano passado. O projeto de lei que estabelece o novo piso salarial para médicos e cirurgiões dentistas é outro que preocupa a Fazenda, com impacto fiscal calculado em 47 bilhões de reais.
A equipe econômica ainda busca postergar a discussão da PEC que aumenta a fatia de recursos da União destinada ao Fundo de Participação dos Municípios, cujo rombo pode chegar a 10 bilhões de reais apenas em 2026.
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