Economia
Governo se reúne com Alcolumbre para tentar barrar ‘pautas-bomba’
O diálogo acontece em meio ao distanciamento do presidente do Congresso e Lula
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniu com o presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP), nesta terça-feira 9, para frear projetos sensíveis à equipe econômica pelo impacto nas contas públicas. A estimativa é que as matérias em tramitação na Casa Alta possam ter um impacto de 270 bilhões de reais no erário ao longo dos próximos anos.
A reunião ocorreu na residência oficial do Senado, em meio à relação conturbada entre Alcolumbre e o governo Lula (PT).
Uma das propostas que preocupam o Palácio do Planalto está na pauta de quarta-feira 10 da Casa. Trata-se do projeto de lei que trata da renegociação das dívidas dos produtores rurais. O texto foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos e tem um impacto estimado de 120 bilhões de reais nas contas públicas nos próximos 10 anos.
Também há receio com o custo de uma proposta de emenda à Constituição que concede aposentadoria integral e com paridade a agentes de saúde também, aprovada pela Câmara no ano passado. O projeto de lei que estabelece o novo piso salarial para médicos e cirurgiões dentistas é outro que preocupa a Fazenda, com impacto fiscal calculado em 47 bilhões de reais.
A equipe econômica ainda busca postergar a discussão da PEC que aumenta a fatia de recursos da União destinada ao Fundo de Participação dos Municípios, cujo rombo pode chegar a 10 bilhões de reais apenas em 2026.
Quem também procurou Alcolumbre para tratar das chamadas ‘pautas-bombas’ nesta terça foi o ministro José Guimarães, responsável pela articulação política do governo. Tanto ele quanto Durigan têm atuado como interlocutores de Lula em meio à crise na relação com o chefe do Senado, deflagrada com a atuação para barrar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.
Mais cedo, o presidente fez uma espécie de autocrítica sobre o diálogo com o Congresso durante uma cerimônia em Brasília. Segundo ele, muitas vezes as queixas concentram-se na Câmara e no Senado, quando a falha pode estar na falta de habilidade da própria gestão para convencer e dialogar com os congressistas.
“A gente critica a Câmara, o Senado, mas a gente sabe que, muitas vezes, falta habilidade nossa de convencer as pessoas, conversar com as pessoas certas”, avaliou Lula.
Apesar do diálogo com Alcolumbre, ainda não há sinalização de entendimento entre Planalto e Congresso sobre as pautas. Em discurso no plenário da Casa Alta, o amapaense disse que “não pode ser seletivo” para pautar propostas que alteram pisos salariais de diversas categorias em ano eleitoral.
Segundo ele, 31 projetos estão prontos para votação, mas, na prática, não há como a União bancar todos os reajustes.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
CCJ do Senado pode votar nesta quarta-feira a PEC que amplia a autonomia do BC
Por CartaCapital
Sob pressão e às vésperas da eleição, senadores recuam em apoio a PEC da oposição sobre a 6×1
Por Wendal Carmo



