Justiça
Kassio suspende pesquisa AtlasIntel que apontou queda de Flávio Bolsonaro
O presidente do TSE acolheu um pedido do senador. A decisão, porém, ainda passará por análise do plenário
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, decidiu nesta segunda-feira 8 proibir o instituto AtlasIntel de continuar a divulgar sua mais recente pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República.
Kassio acolheu um pedido liminar do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) para barrar a pesquisa, publicada em 19 de maio. O levantamento apontou uma queda de sete pontos percentuais nas intenções de voto do senador em um eventual segundo turno contra o presidente Lula (PT).
Flávio alegou que a sondagem, ao apresentar perguntas sobre o escândalo do Master e os áudios entre o senador e o então dono do banco, Daniel Vorcaro, teria influenciado artificialmente os entrevistados.
O AtlasIntel incluiu na pesquisa — depois das respostas sobre as intenções de voto — a gravação do diálogo entre Flávio e Vorcaro.
Segundo Kassio, há evidências de “possível comprometimento da neutralidade metodológica do questionário registrado perante a Justiça Eleitoral”. A decisão, contudo, não é definitiva e passará pelo referendo do plenário do TSE.
O ministro argumentou que a tutela de urgência se justifica mesmo diante do intervalo entre a divulgação da pesquisa e sua decisão. “A permanência de circulação de levantamento cuja higidez metodológica se encontra sob questionamento pode potencializar efeitos de difícil reversão no contexto do processo eleitoral, especialmente diante da elevada capacidade de difusão e replicação do conteúdo em meios digitais e veículos de comunicação.”
Em 19 de maio, o chefe de Risco Político e Análise Política do instituto, Yuri Sanches, afirmou a CartaCapital que as alegações de Flávio eram falsas.
Uma das principais reclamações do campo bolsonarista recai sobre o fato de o AtlasIntel ter incluído na pesquisa a reprodução do áudio da conversa entre Flávio e Vorcaro. Sanches explicou, porém, que os entrevistados só tiveram contato com a gravação na fase final do levantamento, após a conclusão do questionário — ou seja, depois de responder a perguntas sobre a avaliação do governo, a intenção de voto e a rejeição dos pré-candidatos, por exemplo.
As respostas sobre o áudio, portanto, não alteram os resultados dos cenários eleitorais, enfatiza a Atlas. “Essa participação também é voluntária. O usuário pode não participar desse segundo momento se não quiser, e em nada isso vai interferir na pesquisa.”
O objetivo da etapa multimídia era medir a percepção sobre o áudio em tempo real: o entrevistado arrastava o cursor em uma escala de acordo com sua reação ao conteúdo — de forma positiva ou negativa.
“No fim, temos uma curva ao longo de toda a duração do conteúdo”, ressalta Sanches. “Podemos ver como foi a reação de mulheres, de homens, por faixas de idade, de renda, por voto passado. Calibramos essa amostra, então, como uma amostra representativa, para justamente ter um rigor metodológico.”
Em nota oficial nesta segunda-feira, o instituto enfatizou que respeitará a liminar, mas se disse confiante de que a análise técnica dos fatos e da metodologia será suficiente para esclarecer a situação.
Segundo o AtlasIntel, pesquisas realizadas posteriormente confirmaram a tendência apontada pelo instituto, “em alguns casos apontando efeitos de magnitude ainda superior”.
“Esse fato reforça que os resultados captados pela pesquisa refletiam uma dinâmica real da opinião pública naquele momento, e não qualquer forma de contaminação metodológica.”
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