Justiça
A mudança na estratégia de Vorcaro para tentar destravar delação
O ex-banqueiro do Master precisou recalcular a rota após enfrentar resistência na proposta de acordo
A mudança na defesa de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, marca um novo momento para sua delação. O banqueiro – que resiste em entregar aliados, mas não suporta mais estar preso – precisa apostar em uma nova estratégia para conseguir, ao menos, a prisão domiciliar.
Conhecido por atuar e defender delações premiadas, José Luis de Oliveira, o Juca, deixou a defesa de Vorcaro após fracassar com a estratégia que buscava entregar pouco na delação para que a discussão fosse levada à Segunda Turma, onde tentaria um empate que favoreceria o banqueiro.
A tentativa, no entanto, não prosperou. Em nota à imprensa, Juca afirmou que a decisão ocorreu em “comum acordo”. Por outro lado, juristas que atuam na esfera criminal em Brasília dizem que é comum, nesse tipo de contrato, o advogado ser dispensado devido às batalhas perdidas.
Com a rejeição de mais uma proposta pela Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal, Vorcaro foi transferido para uma cela comum. Com o anúncio da saída de Juca, e com a manifestação da defesa técnica de que o banqueiro estaria disposto a colaborar com provas mais robustas, Mendonça autorizou o retorno de Vorcaro para uma cela especial na Superintendência da PF, onde terá mais facilidade para falar com seus advogados.
Na nova proposta a ser apresentada deverá constar que ele aceita subir de 40 bilhões para 60 bilhões de reais o valor a ser devolvido. Interlocutores que acompanham o caso dizem que o montante a ser recuperado é o “trunfo dessa operação”, sobretudo porque envolve lavagem de dinheiro e a necessidade de reaver o prejuízo.
Há um receio na PGR de que se repita no caso Master o que ocorreu na Lava Jato, em que os valores envolvidos no esquema de corrupção não foram totalmente recuperados. Portanto, quando o caso trata de lavagem de dinheiro, a jurisprudência recente exige, como requisito para a aceitação de uma colaboração, que ela entregue não apenas as pessoas, mas também o dinheiro.
A interlocutores, Mendonça diz que não tem acesso à delação e que sequer faz análises ou prospecções sobre as informações apresentadas por Vorcaro. O ministro não estaria, portanto, “nem otimista, nem pessimista” com a possibilidade de a proposta de delação avançar; ele apenas “aguarda o que virá”. O magistrado, por outro lado, confirma que tem encontros reservados frequentes com os advogados e com investigadores do caso.
Internamente, os ministros do Supremo evitam comentar a condução do caso por Mendonça. Entretanto, uma decisão recente que mirou no servidor da Receita Federal que teria vazado dados de um contrato do escritório da esposa de Alexandre de Moraes com o Master foi avaliada como um ponto positivo para o relator em relação à ala majoritária do tribunal, composta, entre outros, pelo próprio Moraes.
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