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Deputado pede instauração de CPMI para investigar filme sobre Bolsonaro
O pedido do deputado federal Rogério Correia (PT-MG) pede apuração sobre os possíveis aportes financeiros feitos por Daniel Vorcaro
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) pediu a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, CPMI, para investigar possíveis irregularidades no filme Dark Horse, que conta a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O pedido surgiu depois da reportagem do The Intercept que mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) buscando dinheiro com o empresário Daniel Vorcaro, pivô do escândalo Master, para financiar o filme. Segundo o veículo, o pedido teria sido de 134 milhões de reais, e ao menos 61 milhões teriam sigo pagos à produtora Goup Enterteinment. A empresa nega o recebimento dos valores.
No pedido de CPMI, o deputado afirma que os recursos de Vorcaro teriam sido destinados a estrutura financeira ligada a fundos nacionais e internacionais associados ao ex-Deputado Federal Eduardo Bolsonaro, “com forte indício de lavagem de dinheiro”.
“Os fatos tornados públicos nos últimos dias revelam quadro de elevada gravidade institucional, financeira e democrática, envolvendo cifras milionárias, participação direta de agente político com mandato parlamentar, possível circulação de recursos de origem controvertida e indícios de utilização de recurso público por meio de emendas parlamentares e contratos com a Prefeitura de São Paulo que abasteceram organizações ligadas à produtora responsável pelo projeto”, escreveu Correia no pedido.
A solicitação, encaminhada ao presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), solicita apuração sobre a origem dos recursos e a regularidade dos aportes financeiros, bem como identificar eventuais beneficiários ocultos. Pretende, ainda, esclarecer a existência de recursos públicos envolvidos, examinar possível financiamento político irregular, além da utilização de produto cultural como mecanismo de abuso de poder econômico e propaganda eleitoral dissimulada.
O parlamentar ainda recorreu à Procuradoria Geral da República pedindo a instauração de inquérito por parte do Ministério Público Eleitoral para apurar se o projeto cinematográfico foi utilizado como mecanismo econômico e comunicacional para circulação de recursos de origem suspeita, lavagem reputacional, financiamento político irregular, propaganda eleitoral dissimulada, abuso de poder econômico ou caixa dois.
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