Política

‘BolsoMaster’: vazamento de áudio de Flávio provoca a maior repercussão digital do caso Vorcaro

Levantamento do Instituto Democracia em Xeque aponta que o episódio resultou em mais de 8,6 milhões de interações nas redes sociais

‘BolsoMaster’: vazamento de áudio de Flávio provoca a maior repercussão digital do caso Vorcaro
‘BolsoMaster’: vazamento de áudio de Flávio provoca a maior repercussão digital do caso Vorcaro
Em pronunciamento, o senador Flávio Bolsonaro. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
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A revelação, pelo Intercept Brasil, de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro uma ajuda financeira de  134 milhões de reais para a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro provocou a maior onda de repercussão digital envolvendo o Banco Master nas últimas semanas.

Um levantamento divulgado nesta quinta-feira 14 pelo Instituto Democracia em Xeque aponta que o episódio resultou em mais de 8,6 milhões de interações nas redes sociais e consolidou o termo “BolsoMaster” como principal eixo de desgaste da pré-campanha presidencial do senador. Desde o avanço das investigações do Caso Master, aliados do governo Lula e setores do PT buscam associar as suspeitas em torno da instituição financeira ao entorno bolsonarista.

A estratégia, porém, ganhou nova dimensão com a revelação de que expoentes do bolsonarismo mantinham interlocução direta e relações políticas com Vorcaro. A publicação do Intercept sugere, por exemplo, que Flávio tinha uma proximidade com o banqueiro que ia além de contatos ocasionais sobre a cinebiografia Dark Horse. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”, escreveu o senador ao empresário em 16 de novembro de 2025.

De acordo com a reportagem, ao menos 10,6 milhões de dólares (aproximadamente 61 milhões de reais à época) foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. Em nota, Flávio confirmou o pedido de dinheiro, afirmou tratar-se de “patrocínio” e defendeu a abertura de uma CPI sobre as fraudes do Master.

A análise do Institutodx aponta que o caso atingiu 360 mil menções nas horas seguintes à matéria do Intercept, além de outras 123 mil nesta quinta-feira. O volume superou outros episódios recentes associados ao banco, incluindo menções ao Supremo Tribunal Federal e ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de uma batida da Polícia Federal na semana passada.

O monitoramento foi realizado com dados coletados via APIs públicas de plataformas como Facebook, Instagram, X/Twitter, TikTok e YouTube. Segundo o instituto, a base acompanha mais de 16 mil perfis ligados ao debate político brasileiro.

A esquerda dominou a repercussão nas redes, tanto em número de publicações quanto em engajamento. Foram identificados 4.829 posts mencionando simultaneamente Vorcaro e Flávio no período analisado. Deles, 1.469 partiram de perfis ligados à esquerda, contra 1.133 da direita e 676 da imprensa. Nas interações, a diferença foi ainda maior: perfis de esquerda concentraram mais de 4 milhões de engajamentos, superando os números da imprensa e de influenciadores bolsonaristas.

O estudo registra também que a direita concentrou sua reação em uma linha defensiva baseada na tese de que a cinebiografia teria sido financiada exclusivamente com recursos privados, sem uso de dinheiro público ou incentivos da Lei Rouanet.

Já a esquerda explorou diferentes frentes narrativas, associando o caso a suspeitas de lavagem de dinheiro, contradições nas declarações de Flávio e possíveis impactos eleitorais para 2026.

Entre os partidos, PT e PSOL lideraram o volume de interações sobre o tema. O PL concentrou publicações voltadas à defesa da legalidade do financiamento privado.

Há ainda registros quanto a fissuras na direita: enquanto o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) apressou-se em criticar Flávio, seu possível adversário na disputa presidencial, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demorou a comentar o caso, postura que repercutiu nas redes sociais.

Ainda conforme o Institutodx, o Intercept Brasil liderou o ranking de perfis com maior número de interações sobre o episódio, ultrapassando 1 milhão de engajamentos. Logo depois aparece o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), que pediu a prisão de Flávio, seguido por veículos de imprensa e jornalistas que ajudaram a ampliar a circulação das denúncias.

Outro eixo de repercussão identificado pelo relatório envolve os valores atribuídos ao financiamento do filme. Publicações compararam os recursos mencionados no caso ao orçamento de produções brasileiras recentes, como Ainda Estou Aqui, levantando questionamentos sobre a destinação do dinheiro.

Veja a íntegra do estudo: 

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