Justiça
Lula pediu a Trump a extradição de Ricardo Magro, alvo da PF em operação de sonegação fiscal
O empresário, dono do Grupo Refit, e acusado de estar à frente de um esquema de desvios no setor de combustíveis, vive em Miami, nos Estados Unidos
A operação da Polícia Federal que investiga o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) mira também o empresário Ricardo Magro, dono da Refit (antiga Refinaria de Manguinhos). Alvo de mandado de prisão há dez anos, Magro vive em Miami e foi tema de conversas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o presidente Lula (PT), que pediu ajuda no processo de extradição.
Em fevereiro, Lula afirmou que Magro é o “maior devedor do País”. “Nós mandamos para o presidente Trump a fotografia da casa dele, o nome dele, e nós queremos essa pessoa no Brasil”, declarou, em entrevista na Índia.
Reportagem de CartaCapital mostrou, em 2021, como era a vida do empresário. Ele morava em uma mansão de 36 milhões de dólares que pertenceu a LeBron James, uma das maiores estrelas da NBA, a bilionária liga de basquete dos EUA.
À época, as dívidas dele e da família passavam dos 10 bilhões de reais, com destaque para a a Refit. Em recuperação judicial, a companhia devia 4,9 bilhões de reais, registrados na Dívida Ativa do estado do Rio de Janeiro.
A operação desta sexta-feira é consequência de uma investigação que aponta que o grupo comandado pelo empresário estruturou uma rede com cerca de 50 fundos de investimento para esconder bilhões de reais oriundos do setor. As investigações indicam que o esquema causou um prejuízo de 26 bilhões de reais aos cofres estaduais e federal.
A operação da PF também mira Claudio Castro, alvo de um mandado de busca e apreensão. A antiga refinaria de Manguinhos obteve, em 2023, sob o governo Castro, um incentivo fiscal para ampliar sua atuação no mercado de óleo diesel.
Os agentes federais cumprem 17 mandados de busca e apreensão. Além do Rio de Janeiro, foram às ruas em São Paulo e no Distrito Federal. O Supremo Tribunal Federal também expediu medidas de afastamento de função pública, e determinou o bloqueio de aproximadamente 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
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