Política
Moro insinua que vitória de Lula sobre Bolsonaro foi ilegítima
A declaração ocorreu na filiação do senador ao PL, nesta terça-feira 24
O senador Sergio Moro, pré-candidato ao governo do Paraná, insinuou sem provas nesta terça-feira 24 que a eleição de 2022, na qual Lula (PT) derrotou Jair Bolsonaro (PL), não teria sido legítima. A declaração ocorreu na cerimônia de filiação do ex-juiz da Lava Jato ao PL.
“A visão que o cidadão tem é que o nosso presidente da República hoje, que não é nosso, mas foi eleito — entre aspas — aqui no Brasil está do lado dos criminosos e minimiza o crime a todo momento”, alegou Moro. Ele esteve ao lado, entre outros, do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Moro, porém, não forneceu qualquer evidência a sustentar que a vitória de Lula tenha sido irregular.
O senador inicia como favorito a disputa pelo Palácio Iguaçu, em meio à indefinição sobre o candidato que representará o governador Ratinho Junior (PSD), que encerrará seu segundo mandato em 31 de dezembro.
A filiação de Moro ao PL marca seu ingresso formal no bolsonarismo, após anos de contribuição direta e indireta à extrema-direita. Seu trabalho à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba, por exemplo, foi fundamental para a vitória de Jair Bolsonaro em 2018.
Em 31 de agosto daquele ano, o TSE negou o pedido de registro da candidatura de Lula, com base na Lei da Ficha Limpa. Em janeiro de 2018, o TRF-4 havia confirmado a condenação de Lula no caso do triplex em Guarujá (SP), imposta em julho de 2017 por Moro.
Também partiu de Moro, em abril de 2018, a ordem para prender Lula, que permaneceu 580 dias na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. A retomada dos direitos políticos do então ex-presidente, sempre pleiteada, tomou forma final sob a repercussão da Vaza Jato, que expôs o conluio entre o então juiz da 13ª Vara e a força-tarefa da Lava Jato, chefiada por Deltan Dallagnol.
Em 2021 — quando Moro já havia entrado no governo Bolsonaro e saído dele —, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula na Lava Jato, declarou a incompetência da Justiça Federal em Curitiba e reconheceu a suspeição do ex-juiz. Dois anos depois, ao invalidar as provas obtidas no acordo de leniência da Odebrecht, o ministro Dias Toffoli classificou a prisão de Lula como “um dos maiores erros judiciários da história do País”.
Toffoli escreveu na ocasião que as delações premiadas da Lava Jato, celebradas por “meios ilegítimos”, caíam por terra. “Tal conluio e parcialidade demonstram, a não mais poder, que houve uma verdadeira conspiração com o objetivo de colocar um inocente como tendo cometido crimes jamais por ele praticados.”
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