Justiça
Os protagonistas da articulação pela iminente prisão domiciliar de Bolsonaro
O ex-presidente segue internado com broncopneumonia. Uma série de reuniões na Corte e a manifestação da PGR devem basear a decisão de Alexandre de Moraes
A recomendação da Procuradoria-Geral da República para conceder prisão domiciliar a Jair Bolsonaro (PL) marca a reta final de uma intensa articulação em benefício do ex-presidente. A expectativa é que o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes acolha nesta semana a sugestão e, assim, Bolsonaro passe a cumprir a pena de 27 anos e três meses em sua residência, no Jardim Botânico, em Brasília.
A manifestação da PGR abre o caminho para realizar o maior desejo dos bolsonaristas no momento, após operadores da política e do Judiciário articularem nos últimos dias a domiciliar.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi um dos mais atuantes em prol de seu padrinho político. Na sexta-feira 20, teve uma série de encontros com ministros do STF, um deles com o relator Alexandre de Moraes.
Segundo relatos de interlocutores, Tarcísio expôs aos ministros sua preocupação com um possível agravamento da situação de saúde do ex-presidente. O mais sensibilizado foi o decano Gilmar Mendes.
Edson Fachin, presidente da Corte, também teve de ouvir apelos por uma “conscientização” dos demais ministros na tarefa de convencer Moraes a autorizar Bolsonaro a cumprir a pena em casa.
Tarcísio teria saído esperançoso das reuniões, sobretudo após ter conversado com Moraes. O ministro do STF teria dito que aguardaria a opinião da PGR antes de assumir uma posição sobre a domiciliar.
Antes, na quarta-feira 18, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, esteve com Moraes e fez apelos pela domiciliar. Segundo o parlamentar, a audiência teve caráter “técnico” e focou nos argumentos já formalizados pelos advogados.
Agora, com a manifestação da PGR, a expectativa da defesa de Bolsonaro é que ele seja transferido para casa assim que receber alta do Hospital DF Star, em Brasília.
Michelle Bolsonaro
“Afastada” da política a pedido do marido, a ex-primeira-dama também teve um papel de destaque na articulação. Ainda em fevereiro, Michelle teve encontros com ministros do STF, inclusive Moraes. Ela inaugurou uma abordagem mais “humana”, segundo aliados do PL, mostrando aos ministros que Jair Bolsonaro precisaria de um atendimento de saúde mais direto, o que não seria possível na Papudinha.
Hoje, a ex-primeira-dama tem um novo encontro com Moraes, às 17h, no gabinete do ministro.
Estado de saúde de Bolsonaro
Conforme boletim divulgado nesta segunda-feira 23, Bolsonaro segue internado na UTI, em tratamento de uma pneumonia bacteriana bilateral. Ele permanece estável clinicamente, com evolução favorável e sem intercorrências. Ainda segundo o texto, se o ex-presidente mantiver evolução satisfatória, deverá receber alta da terapia intensiva nas próximas 24 horas.
Bolsonaro está internado desde o último dia 13, quando foi levado do complexo penitenciário da Papudinha ao hospital com um quadro de broncopneumonia.
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