Justiça
Cláudio Castro renuncia ao governo do RJ em meio a julgamento no TSE
Saída ocorre na véspera de decisão que pode cassar mandato e torná-lo inelegível; governador mira disputa ao Senado
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), deixa o cargo nesta segunda-feira 23, em cerimônia marcada para as 16h30 no Palácio Guanabara. A renúncia ocorre às vésperas da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral, que pode resultar na cassação de seu mandato e na declaração de inelegibilidade. O TSE analisa o caso que investiga suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de 2022.
Mesmo fora do cargo, o processo seguirá em tramitação, e Castro ainda poderá ser declarado inelegível. Até o momento, o placar no tribunal é desfavorável ao governador, com dois votos pela cassação.
A ação em julgamento analisa denúncias do Ministério Público Eleitoral sobre um suposto esquema de contratações irregulares na Fundação Ceperj (Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro).
Segundo as investigações, cerca de 27 mil servidores temporários teriam sido contratados sem transparência e utilizados como base durante a campanha que garantiu a reeleição de Castro. Há indícios de que parte desses trabalhadores atuou como cabos eleitorais de aliados, em um modelo que, segundo os autos, teria beneficiado diretamente candidaturas.
O caso começou a ser julgado em novembro de 2025. A relatora, ministra Isabel Gallotti, votou pela cassação do mandato e pela inelegibilidade do governador, além de defender novas eleições. O ministro Antonio Carlos Ferreira acompanhou esse entendimento, apontando a existência de um “método estruturado de promoção pessoal” com uso de recursos públicos.
O julgamento foi interrompido por pedido de vista e será retomado com cinco ministros ainda a votar.
A renúncia
Com a renúncia, o estado entra em uma situação incomum. Sem vice-governador – já que Thiago Pampolha (MDB) deixou o cargo para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado –, quem assume interinamente é o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto.
Ele deverá convocar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa para definir quem governará o estado até o fim do mandato. No entanto, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal suspenderam regras aprovadas para esse processo, o que abre incertezas sobre o formato da escolha.
Disputa ao Senado
A renúncia também reposiciona Castro no cenário eleitoral. Caso mantenha seus direitos políticos, ele deve disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026.
Pesquisa Real Time Big Data, divulgada em 11 de março, aponta o ex-governador como um dos principais nomes na corrida. Em um dos cenários testados, Castro aparece com 23% das intenções de voto, à frente de Marcelo Crivella (15%) e de Benedita da Silva e Rodrigo Pimentel, ambos com 12%. Sem Crivella, ele chega a 24%, mantendo a liderança.
O levantamento ouviu 2 mil eleitores em 9 e 10 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo RJ-04191-2026.
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