Justiça

Juiz anula encontro da Rede no Rio e provoca reviravolta no comando nacional

No centro do caso estão as divergências entre as alas de Marina Silva e de Heloísa Helena

Juiz anula encontro da Rede no Rio e provoca reviravolta no comando nacional
Juiz anula encontro da Rede no Rio e provoca reviravolta no comando nacional
As ex-aliadas Marina Silva e Heloísa Helena - Divulgação/Rede
Apoie Siga-nos no

O juiz Marcos Antônio de Moura Brito, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, anulou o resultado do congresso municipal da Rede Sustentabilidade na capital fluminense, realizado em fevereiro do ano passado. Na prática, a decisão assinada na quinta-feira 29 também invalida os encontros estadual e nacional da sigla, que sacramentaram a vitória de um aliado da deputada federal Heloísa Helena (RJ).

A escolha de delegados na Rede segue um modelo “piramidal”, em que o congresso municipal elege representantes para a etapa estadual, que, por sua vez, define a composição do encontro nacional. Assim, o juiz entendeu que a nulidade inicial contaminou todas as instâncias subsequentes. Cabe recurso contra a decisão.

Brito apontou a existência de irregularidades graves nos processos de convocação, credenciamento e votação do encontro municipal. Entre os problemas estão divulgação do congresso em prazo inferior ao mínimo exigido pelo regimento interno, uso inadequado de redes sociais como único meio de convocação, falhas na conferência da identidade dos participantes e fraude no registro de assinaturas de pessoas que não estiveram presentes.

O grupo ligado à ministra do Meio Ambiente Marina Silva, autor da ação, afirma que a ala rival tem buscado restringir os espaços de deliberação interna e adotado como prática a intervenção em diretórios controlados pela corrente da ambientalista.

Em nota, a direção nacional da Rede informou não ter sido notificada da decisão, mas afirmou manter seu “compromisso com a lisura, a transparência e a democracia, princípios que sempre orientaram a atuação partidária”. Além disso, disse que recorrerá de “qualquer decisão que ponha em risco a estabilidade e a continuidade das atividades partidárias”.

A vitória do secretário de Relações Institucionais de Belo Horizonte, Paulo Lamac, aliado de Helena, representou uma derrota para Marina, que apostava em Giovanni Mockus. A disputa pode resultar na saída da ministra do partido — ela mantém conversas com legendas como PT, PSOL e PSB, mas ainda não definiu a sigla pela qual disputará o Senado por São Paulo em outubro.

O racha tem como pano de fundo algumas divergências relacionadas à base teórica da agremiação. Enquanto Marina se declara “sustentabilista”, Heloísa defende o “ecossocialismo”, que associa a preservação ambiental à mudança do sistema econômico. As duas foram aliadas no passado. Entre 1999 e 2003, por exemplo, dividiram a bancada do PT no Senado.

Nos últimos anos, as diferenças ficaram evidentes. Em 2022, por exemplo, Marina apoiou Lula, enquanto Heloísa esteve ao lado de Ciro Gomes. No ano seguinte, a ex-senadora propôs a fusão da Rede com o PT ou o PSB. Marina, por sua vez, liderou um abaixo-assinado nacional defendendo a autonomia partidária.

Em nota, o partido afirmou que recebeu com surpresa a decisão e ainda não foi oficialmente notificado. “Em respeito aos filiados e simpatizantes da Rede, esclarecemos que, tão logo oficialmente informado, o partido tomará todas as providências no sentido de recorrer de qualquer decisão que ponha em risco a estabilidade e a continuidade das atividades partidárias”, afirmou o comunicado.

“A Direção Nacional manifesta sua confiança na legalidade e no devido processo legal, que indubitavelmente demonstrará a correção dos procedimentos da democracia interna da Rede”, completou o texto.

ENTENDA MAIS SOBRE: , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo