Justiça

O que se sabe sobre a possível saída de Lewandowski do Ministério da Justiça

O ministro já comunicou a Lula o desejo de deixar o cargo; governo discute sucessão, possível debandada na equipe e eventual divisão da pasta

O que se sabe sobre a possível saída de Lewandowski do Ministério da Justiça
O que se sabe sobre a possível saída de Lewandowski do Ministério da Justiça
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Foto Lula Marques/ Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

A saída do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é considerada iminente no governo Lula (PT). Desde o fim de dezembro, ele já informou ao presidente sua intenção de deixar o cargo, alegando cansaço e a avaliação de que a missão à frente da pasta estaria cumprida. A expectativa, segundo relatos de integrantes do governo, é que o anúncio oficial ocorra ainda nesta semana ou nos próximos dias, tão logo seja definida a transição.

Lewandowski tomou posse no Ministério da Justiça em fevereiro de 2024, após a saída de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal. Ex-ministro da Corte, ele foi visto desde o início como um nome capaz de reforçar a interlocução do governo com o Judiciário e de conduzir a agenda de segurança pública em um momento sensível para o Planalto. Ao longo de sua gestão, o Ministério apresentou propostas como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, ambos ainda em tramitação no Congresso Nacional.

Apesar de o presidente Lula ter tentado convencer Lewandowski a permanecer no cargo por mais tempo, o ministro reiterou o desejo de deixar a pasta. Inicialmente, cogitava-se que ele aguardaria a votação da PEC da Segurança, mas auxiliares próximos avaliam que o texto perdeu força após mudanças feitas pelo Congresso, o que reduziu o sentido de condicionar sua saída à aprovação da proposta.

A possível saída de Lewandowski deve provocar um efeito em cadeia no Ministério da Justiça. Integrantes da cúpula da pasta indicam que secretários próximos ao ministro também pretendem deixar o governo. Entre os nomes citados estão o secretário-executivo, Manoel Carlos de Almeida Neto, e o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo. Outros auxiliares já planejavam sair para disputar as eleições de 2026, o que pode ampliar a reformulação da equipe.

Enquanto busca um substituto, Lula avalia alternativas para manter o funcionamento da pasta. Nos bastidores, surgem especulações sobre perfis que poderiam assumir o Ministério ou uma eventual nova pasta, como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, caso haja mudanças na estrutura administrativa.

Com a saída de Lewandowski, ganha força no governo a discussão sobre o desmembramento do atual Ministério da Justiça e Segurança Pública. A ideia é recriar o Ministério da Segurança Pública, separando-o da Justiça, modelo que já existiu em gestões anteriores. A decisão, no entanto, ainda depende de fatores políticos e da tramitação da PEC que redefine as competências da União na área da segurança.

Aliados do presidente afirmam que Lula procura um nome que reúna três características centrais: capacidade de articulação no Congresso, bom trânsito com o STF e disposição para enfrentar a pauta da segurança pública, tema considerado estratégico diante do cenário eleitoral de 2026. Até que essa definição seja feita, o governo trabalha para evitar descontinuidade nas ações da pasta e garantir uma transição controlada.

Com Lewandowski, Lula deve ter mais de 20 ministros fora do governo até abril.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo