Justiça

STF derruba portarias de Bolsonaro que cassavam anistia de militares afastados pela ditadura

a Corte seguiu o voto da relatora do caso, ministra Cármen Lúcia

STF derruba portarias de Bolsonaro que cassavam anistia de militares afastados pela ditadura
STF derruba portarias de Bolsonaro que cassavam anistia de militares afastados pela ditadura
A ministra do STF Cármen Lúcia. Foto: Antonio Augusto/STF
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O Supremo Tribunal Federal invalidou uma série de portarias do antigo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, editadas durante o governo Jair Bolsonaro (PL), que anulavam a anistia concedida a cabos da Força Aérea Brasileira afastados no início da ditadura militar.

A decisão foi tomada no fim de fevereiro, quando a Corte concluiu o julgamento de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental em sessão virtual.

Em 2020, o antigo ministério analisou atos expedidos pela Comissão da Anistia. Essas decisões, tomadas entre 2002 e 2005, atestaram a anistia política de cabos afastados por meio de uma portaria do extinto Ministério da Aeronáutica, logo no início da ditadura.

Ao analisar as decisões, a pasta do governo Bolsonaro anulou 313 atos, sob o argumento de que não havia comprovação de perseguição exclusivamente política.

A Ordem dos Advogados do Brasil, então, acionou o Supremo. A entidade sustenta que a revogação da anistia violou normas processuais, a exemplo do direito ao contraditório e à ampla defesa. A maior parte dos 313 atos já havia sido anulada por decisões administrativas e judiciais. Assim, a Suprema Corte resolveu derrubar 33 portarias.

A relatora do caso foi a ministra Cármen Lúcia, para quem a edição de centenas de portarias do ministério do governo anterior ocorreu de forma generalizada. Faltou à pasta, segundo a magistrada, individualizar as situações específicas de cada anistiado — exemplo disso é que todas as portarias têm a mesma redação. 

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