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Governo brasileiro reitera apoio ao ‘direito da Argentina’ sobre as Ilhas Malvinas; entenda a disputa
Ministério das Relações Exteriores sustenta posição histórica do país; conflito entre Argentina e Reino Unido resultou em guerra que representou o fim da ditadura argentina
O governo federal, através do Ministério das Relações Exteriores, divulgou, na noite da última quarta-feira 3, um comunicado defendendo o “seu apoio aos legítimos direitos da Argentina na disputa de soberania com o Reino Unido sobre as Ilhas Malvinas, Geórgias do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marinhos circundante”.
O comunicado lembra a data que marca os 191 anos do que o governo brasileiro chamou de “ocupação britânica das Ilhas Malvinas” e destaca que a posição brasileira remonta a 1833, quando o então embaixador brasileiro em Londres aderiu à demanda argentina junto ao Reino Unido pela ocupação das ilhas.
“Em linha com a posição argentina, o Brasil favorece a criação de ambiente de confiança que contribua para a retomada das negociações bilaterais, conforme recomendam as resoluções das Nações Unidas, organização na qual a disputa é tratada, desde a década de 1960, como um tema de agenda de descolonização”, diz um trecho do comunicado.
O que é a disputa pelas Ilhas Malvinas
Argentina e Reino Unido disputam, desde o século XIX, a soberania sobre a região conhecida como Ilhas Malvinas (ou Ilhas Falkland), no extremo sul do continente sul-americano.
O tema teve início ainda durante o processo de colonização da América do Sul. A Espanha – à época, colonizadora da Argentina – também discordava da posição britânica, que sempre chamou para si a responsabilidade sobre o território de cerca de 12 mil quilômetros quadrados.
O ponto alto da disputa aconteceu em 1982, quando a Argentina, comandada por Leopoldo Galtieri, decidiu deflagrar uma guerra contra o Reino Unido – à época, chefiado por Margaret Thatcher – pelo território.
Aproveitando a importância das Ilhas Malvinas para o imaginário social argentino, Galtieri viu na guerra uma oportunidade de sustentação política da ditadura do país, que tinha começado em 1976.
À época, a ditadura do país vizinho chegou a contar com a colaboração jornalística forçada de pessoas presas pelo regime, que eram obrigadas a noticiar que a Argentina estava vencendo o conflito.
Na verdade, apesar da operação chefiada por Galtieri, o exército argentino foi rapidamente dominado pelas forças britânicas. O conflito resultou na morte de mais de 600 soldados do país sul-americano. Do lado britânico, cerca de 250 soldados morreram na guerra.
A derrota argentina foi, na prática, o último ato da ditadura do país. Logo após o fim do conflito, Galtieri renunciou ao cargo. Marcada pela derrota, pela severa crise econômica e pelos casos de assassinatos, torturas e desaparecimentos, a ditadura argentina teve fim em 1983, ano seguinte à guerra.
Desde então, instâncias internacionais de mediação tentam encontrar uma solução para o território. Do ponto de vista governamental e mesmo social, a Argentina sustenta que tem domínio sobre as Ilhas Malvinas.
Já o atual governo britânico, ao saudar a vitória de Javier Milei na eleição presidencial argentina, em novembro do ano passado, destacou que a disputa pelas Ilhas Malvinas é “uma questão resolvida”.
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