Justiça

PGR pede que Nunes Marques seja impedido de apresentar voto em processo sobre terra indígena

Órgão argumenta que o ministro já proferiu decisão sobre o mesmo caso em instância inferior

PGR pede que Nunes Marques seja impedido de apresentar voto em processo sobre terra indígena
PGR pede que Nunes Marques seja impedido de apresentar voto em processo sobre terra indígena
Nunes Marques compartilhou o inquérito com Aras. Nesse meio-tempo, vazou o que corria em segredo de Justiça. Eduardo Bolsonaro quer ouvir Valério - Imagem: Edilson Rodrigues/Ag.Senado, Rosinei Coutinho/STF e José Cruz/ABR
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A Procuradoria-Geral da República apresentou um pedido de impedimento contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques na ação que visa a expulsão de invasores na terra indígena Apyterewa, no Pará. 

No pedido, o órgão ressalta a impossibilidade do ministro apresentar seu voto no julgamento do processo, visto que ele proferiu decisão no mesmo caso, quando exercia a vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 

Na semana passada, Nunes Marques acatou um recurso da Associação dos Pequenos Produtores Rurais do Projeto Paredão e da Associação dos Agricultores do Vale do Cedro para que fossem paralisadas todas as medidas coercitivas de reintegração de posse em favor da comunidade indígena. 

Na sequência, o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, determinou o prosseguimento da operação na terra indígena. Na ocasião, ele afirmou que a decisão de Nunes Marques não interferiria nas ações já homologadas pelo STF. 

Na manifestação desta terça, a subprocuradora-geral da República Maria Caetana Cintra Santos afirmou que o ministro já havia concedido decisão favorável à mesma associação de produtores rurais enquanto exercia cargo no TRF-1, e por isso, deveria ter sua atuação restringida na Corte. 

O pedido se baseia na proibição referia no artigo 144, II, do Código de Processo Civil que prevê o impedimento do magistrado que “conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão”. 

No início do ano o governo federal iniciou uma operação no território indígena que sofre com a presença de garimpeiros, madeireiros e criadores de gado de forma ilegal. 

O territórios Apyterewa foi a área indígena mais desmatadas durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). 

Pressões políticas adiaram o início da operação e suspenderam, por diversas vezes, as ações de campo realizadas pelo governo federal.

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