Justiça

Defensoria aciona Justiça para obrigar uso câmeras em fardas na Operação Escudo

Na ação, o modus operandi da PM no Guarujá foi comparado ao modelo adotado no ‘Esquadrão da Morte’; 27 pessoas já perderam a vida nas incursões policiais na região e os relatos de tortura se acumulam

Defensoria aciona Justiça para obrigar uso câmeras em fardas na Operação Escudo
Defensoria aciona Justiça para obrigar uso câmeras em fardas na Operação Escudo
Operação Escudo - Mastrangelo Reino/Governo de SP
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A Defensoria Pública de São Paulo e a organização social Conectas Direitos Humanos acionaram a Justiça, nesta terça-feira 5, para que a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) seja obrigada a instalar câmeras nas fardas dos agentes que integram a Operação Escudo

A ação nas regiões do Guarujá e da Baixada Santista já deixou ao menos 27 mortos, segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública, e é considerada a segunda operação mais letal depois do Massacre do Carandiru.

A Defensoria pede, que caso haja impossibilidade de instalação das câmeras, a operação seja suspensa.

O Conselho Nacional de Direitos Humanos divulgou desde o início da operação — que começou após a morte do soldado Patrick Reis — que os agentes utilizaram-se de execuções sumárias, tortura, invasão de domicílios, destruição de moradias e outros excessos.

No texto, os defensores reforçam casos de abuso e rechaçam o argumento da PM sobre confronto com criminosos. Eles dizem que a Operação Escudo se trata de uma “vingança institucional”, pois “em apenas uma ocorrência há menção de um policial militar ferido e nenhuma outra traz qualquer referência a viaturas atingidas por disparo de fogo”.

“Importante destacar que esse modus operandi não é novo e remonta ao ‘Esquadrão da Morte’, como relatado por [jurista] Helio Bicudo ao expor como a morte de um agente de segurança instaurou uma lógica de vingança institucional [nos anos 1960] que ‘despertou nova onda de histeria na Secretaria da Segurança Pública, de tal modo que voltou a soar a promessa de que, a cada investigador morto, dez marginais pelo menos deviam pagar o crime com a própria vida'”, destaca a Defensoria.

Câmeras em falta 

Após as primeiras duas semanas da operação, em que ocorreram mais mortes e mais prisões, o governo de São Paulo escolheu aumentar sua frota. Ao todo, o governo mobilizou 600 policiais para a Operação Escudo. 

No entanto, a equipe não foi reforçada com equipamentos das câmeras corporais — que já vinham em queda, conforme mostrou CartaCapital, mas que era a principal responsável pela redução no número de mortos em operações, e até mesmo redução nas mortes dos próprios agentes em serviço.

A Secretaria de Segurança Pública de SP menciona que do total de ocorrências letais da operação, apenas seis envolveram policiais de batalhões que utilizavam câmeras corporais e somente três delas funcionavam. 

“Tal informação causa preocupação porque sabe-se que as nove primeiras ocorrências de morte por intervenção policial foram praticadas por agentes da Rota, batalhão já equipado com câmeras corporais, sendo necessário, portanto, que se esclareça a razão desses agentes não estarem com o equipamento durante as ações da Operação Escudo”, reforçam os defensores.

A Defensoria Pública afirma que não teve, até o momento, acesso às imagens das câmeras corporais disponíveis, e pede ao Estado que as envie ao órgão. Por enquanto, segundo os defensores, não houve resposta do governo. 

A Ouvidoria das Polícias, que também apura as denúncias, não conseguiu acesso às imagens. 

Leia a íntegra da ação:

ACP Operacao escudo_versão final_4 set

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