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Antes de depor à PF sobre as joias, Mauro Cid avaliou que Bolsonaro o ‘arrastava para a lama’
Declaração consta em conversas com o ex-secretário e advogado de Bolsonaro, Fabio Wajngarten
O tenente-coronel Mauro Cid avaliou, em 4 de abril deste ano, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria ‘o arrastando para a lama’. A declaração consta em mensagens trocadas com Fabio Wajngarten, ex-secretário e advogado de Bolsonaro, reveladas pelo site UOL.
Cid fez o comentário ao receber uma mensagem de Wajngarten com o texto do blog de Noblat, do site Metrópoles, com o título ‘Bolsonaro arrasta com ele para a lama seus mais fiéis servidores’. Após ler a mensagem, o militar diz: “Não deixa de ser verdade”.
A conversa com a crítica ao ex-capitão ocorreu um dia antes de Cid depor à Polícia Federal na investigação que apura o desvio de presentes de luxo e joias do acervo da União. A indicação é de que ele tenha vendido, por ordens de Bolsonaro, itens recebidos pelo ex-presidente durante o mandato. A versão, porém, sofreu alterações desde a troca de advogados.
Outras mensagens reveladas pelo site ao longo da semana apontam que o militar sabia da ilegalidade da ação.
Após avaliar ter sido ‘arrastado para a lama’, em 5 de maio, Cid declarou à PF que a busca de presentes recebidos por Bolsonaro seria ‘normal’ e ‘corriqueira’ no seu cargo de ajudante de ordens do presidente.
Cerca de um mês depois, Cid foi preso em outra investigação, que apura a falsificação de cartões de vacinação. Com o celular apreendido e novas provas no caso das joias, o militar prestou, na quinta-feira 31, um novo depoimento sobre as joias. Nessa ocasião, ele ficou por mais de 9 horas diante dos investigadores. Bolsonaro e Michelle, por estratégia da PF, também foram chamados a depor simultaneamente. Eles, no entanto, optaram pelo silêncio absoluto na oitiva.
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