Política

‘Cid vendeu relógio a mando de Bolsonaro e entregou o dinheiro a ele’, diz advogado do tenente-coronel

Segundo Cezar Bitencourt, o militar ‘era um assessor e o ex-presidente era o superior dele’

Mauro Cid, antigo ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na CPMI do 8 de Janeiro. Foto Lula Marques/Agência Brasil.
Apoie Siga-nos no

O advogado Cezar Bitencourt, novo representante do tenente-coronel Mauro Cid, afirmou nesta quinta-feira 17 que seu cliente entregou dinheiro em espécie a Jair Bolsonaro referente à venda de um Rolex recebido pelo ex-presidente em uma viagem oficial.

“Mauro Cid vendeu o relógio a mando do Bolsonaro com certeza e entregou o dinheiro a ele”, disse o advogado ao jornal O Globo. “Os 35 mil que entraram na conta do pai dele (o general Mauro Cesar Lourena Cid) eram parte do pagamento que ele deu ao ex-presidente.”

Segundo Bitencourt, Cid “era um assessor e o ex-presidente era o superior dele”.

“Ele assumiu que errou, quer fazer mea-culpa e eu prometi que vou proteger ele, vou acompanhar. São coisas muito complicadas, ele precisa se sentir seguro”, prosseguiu. “Ele vai assumir a responsabilidade da parte dele e o resto é consequência. Cada um com seus próprios problemas.”

Um relatório enviado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal sustenta que o advogado Frederick Wassef recomprou nos Estados Unidos um relógio da marca Rolex recebido em viagem oficial por Bolsonaro e vendido pelo general Mauro Lourena Cid, pai do tenente-coronel Mauro Cid.

O pacote chegou às mãos de Bolsonaro em outubro de 2019, durante uma viagem oficial à Arábia Saudita. Segundo a investigação da PF, o relógio foi recomprado após o Tribunal de Contas da União expedir uma ordem pela devolução de itens ao Estado.

O relatório aponta que o Rolex foi recomprado em 14 de março de 2023 por Wassef, que voltou ao Brasil 15 dias depois. Em 2 de abril, Mauro Cid (pai) se encontrou com o advogado em São Paulo e retomou a posse do relógio. No mesmo dia, o general viajou a Brasília e entregou o objeto ao segundo-tenente do Exército Osmar Crivelatti, assessor de Bolsonaro.

Mauro Cid, o general, havia embolsado 68 mil dólares ao vender o Rolex e mais um relógio para a empresa Precision Watches, na cidade de Willow Grove, na Pensilvânia. A PF obteve o comprovante de depósito, realizado por meio da instituição financeira Capital One, em 13 de junho de 2022. No dia do pagamento, o montante correspondia a quase 347 mil reais.

“Coincidentemente, na data de 12 de junho de 2022, dia anterior à venda dos relógios, MAURO CESAR LOURENA CID encaminhou para MAURO CID mensagens contendo exatamente os mesmo dados bancários da conta beneficiária do valor de US$ 68.000,00, decorrente da venda dos relógios”, diz o relatório.

ENTENDA MAIS SOBRE: , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Os Brasis divididos pelo bolsonarismo vivem, pensam e se informam em universos paralelos. A vitória de Lula nos dá, finalmente, perspectivas de retomada da vida em um país minimamente normal. Essa reconstrução, porém, será difícil e demorada. E seu apoio, leitor, é ainda mais fundamental.

Portanto, se você é daqueles brasileiros que ainda valorizam e acreditam no bom jornalismo, ajude CartaCapital a seguir lutando. Contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo