Justiça
Por 9 a 2, STF torna Zambelli ré por perseguição armada em São Paulo
Apenas os dois ministros indicados por Jair Bolsonaro ao Supremo votaram para livrar a deputada extremista no caso
O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou a deputada Carla Zambelli (PL-SP) ré pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. O placar da votação terminou em 9 a 2 contra a deputada.
O caso em questão remonta 29 de outubro de 2022, véspera do segundo turno da eleição, quando Zambelli causou espanto ao sacar uma arma em público e perseguir um homem na capital paulista. A cena foi gravada e circulou nas redes sociais.
Na denúncia, a vice-procuradora-geral da República Lindôra Araújo defendeu que a bolsonarista seja condenada a pagar uma multa de 100 mil reais por danos morais coletivos e perca o porte de arma de forma definitiva.
O relator do caso no STF foi Gilmar Mendes, primeiro a votar para aceitar a denúncia e tornar Zambelli ré. Ele foi seguido por quase todos os ministros da Corte. Apenas Kassio Nunes Marques e André Mendonça, os dois indicados por Jair Bolsonaro ao STF, divergiram e votaram para livrar a deputada.
Em seu voto, Mendes sustentou que Zambelli usou a arma “fora dos limites de defesa pessoal, em contexto público e ostensivo, ainda mais às vésperas das eleições” e que isso, “em tese, pode significar responsabilidade penal”.
Com o placar fechado, agora a deputada poderá apresentar sua defesa e o processo seguirá para a fase de coleta das provas. Na sequência, o tribunal decidirá se condena ou não Zambelli pelos crimes apontados pelo Ministério Público Federal.
O episódio, politicamente, é apontado por aliados de Bolsonaro como determinante para a derrota do ex-capitão. Zambelli chegou a ser chamada de ‘louca’ pelo ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, o cacique do Centrão Ciro Nogueira (PP). Na ocasião, ela rebateu o ataque chamando o político de ‘duas caras’ e ‘pior ministro’.
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