Política
O que aliados planejam para evitar a inelegibilidade ou a prisão de Bolsonaro
Um dos objetivos é demonstrar que o apoio amealhado pelo ex-capitão na eleição presidencial de 2022 ainda resiste
Com o retorno de Jair Bolsonaro (PL) ao Brasil, aliados intensificaram o discurso de que a eventual prisão ou inelegibilidade do ex-capitão o tornariam mais forte politicamente.
O intuito, daqui em diante, é tornar Bolsonaro uma espécie de “Lula às avessas”, como o principal líder da oposição ao governo do PT.
O plano inclui ainda viagens pelo País. O objetivo é demonstrar que o apoio amealhado pelo ex-capitão na eleição presidencial de 2022 ainda resiste, garantindo pressão popular contra qualquer decisão judicial contra ele.
“A força eleitoral de Bolsonaro vai ser uma coisa sem precedente”, disse o senador Ciro Nogueira (PP-PI) à reportagem. “Eles [o Poder Judiciário] estão em dúvida [em torná-lo inelegível]. Bolsonaro inelegível é 1000 vezes mais forte do que elegível. Ficaria um sentimento de injustiça muito forte na população”.
Na semana que vem, o ex-presidente deve depor à Polícia Federal sobre as joias sauditas trazidas ilegalmente ao Brasil. Também pesam contra ele ações no Tribunal Superior Eleitoral com potencial de fazê-lo perder os direitos políticos, além de investigações no Supremo Tribunal Federal que podem implicá-lo no inquérito das fake news.
A ordem entre os correligionários do ex-capitão é rebater as acusações com críticas ao governo do presidente Lula (PT) em temas que envolvem corrupção e economia.
“A gente tem um presidente que não tem a moral de sair às ruas e ser recebido dessa maneira no aeroporto, o que só coloca uma pulga atrás da orelha de como foi conduzido o processo eleitoral”, disse o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em conversa com a imprensa. “A inflação está voltando e a picanha tão prometida na época da eleição você não vai conseguir comprar com 18 reais [ de aumento do salário mínimo]”.
No Congresso, parlamentares ligados ideologicamente a Bolsonaro também montam uma ofensiva contra a gestão petista. Nesta semana, mais um pedido de impeachment foi protocolado com base nas declarações de Lula sobre Sergio Moro, agora senador pelo União Brasil. Deputados e senadores também começaram a coletar assinaturas para uma CPMI contra o crime organizado.
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