Justiça
Fachin reage a encontro de Bolsonaro com embaixadores: ‘Evento órfão de embasamento técnico’
Durante lançamento de campanha pela desinformação da OAB Paraná, o ministro rebateu acusações feitas pelo presidente ao sistema eleitoral
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral, teceu críticas à reunião de Jair Bolsonaro com embaixadores – onde, mais uma vez, sem provas, o presidente atacou o sistema eleitoral brasileiro.
O ministro classificou o evento como “órfão de embasamento técnico e pobre em substância argumentativa”. As declarações se deram no contexto do lançamento de uma campanha contra a desinformação pela OAB do Paraná.
“Vivemos um tempo intrincado, marcado pela naturalização do abuso da linguagem e pela falta de compromisso cívico em que se deturpam sistematicamente fatos consolidados, em que se semeia a antidemocracia, pretensamente justificada por um estado de coisas inventadas, ancorado em pseudo representações de elementos que afrontam a toda evidência, a seriedade do sistema da justiça e a alta integridade dos pleitos nacionais”, acrescentou, citando a agenda presidencial desta segunda-feira 18 junto a embaixadores.
“Criam-se nesse caminho da desinformação encenações interligadas, como alias está a assistir hoje o próprio País. É um desses eventos órfãos de embasamento técnico, pobre em substância argumentativa e que violam as bases históricas do contrato social da comunicação e violam as premissas expressas da legalidade constitucional”, declarou.
O ministro, que ainda considerou ‘muito graves’ as acusações sem provas feitas por Bolsonaro. “Há um inaceitável negacionismo eleitoral por parte de uma personalidade importante dentro de um país democrático, e é muito grave a acusação de fraude (má fé) a uma instituição, mais uma vez, sem apresentar provas”.
Fachin também criticou o envolvimento das Forças Armadas nas dúvidas lançadas pelo presidente. “Ainda mais grave, é o envolvimento da política internacional e também das Forças Armadas, cujo relevante papel constitucional a ninguém cabe negar como instituições nacionais, regulares e permanentes do Estado, e não de um governo”, acrescentou, ao cobrar união da sociedade civil e de instituições representativas para garantir que a democracia seja preservada. “É hora de dizer basta.”
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