Política
Reduto eleitoral de Lira, Alagoas foi o estado que mais recebeu recursos do FNDE
Verbas do fundo comandado pelo Centrão estão no centro dos escândalos no MEC, que envolvem pedidos de propina, compras superfaturadas e construção de ‘escolas fake’
Alagoas, reduto eleitoral de Arthur Lira (PP-AL), foi o estado que mais recebeu verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), comandando pelo Centrão. O órgão está no centro dos escândalos no Ministério da Educação, que envolvem pedidos de propina por pastores, compras superfaturadas e construção de ‘escolas fake’. Os valores recebidos pelo estado foram revelados pelo site UOL nesta quarta-feira 20.
Ao todo, segundo o levantamento, Alagoas conseguiu 100 milhões de reais em empenhos, que é quando a verba fica reservada para pagamento. Destes, 40 milhões já foram enviados às prefeituras. Praticamente a integralidade (98%) do valor foi abastecido com emendas de relator, ou seja, fazem parte do chamado orçamento secreto comandado por Lira na Câmara dos Deputados.
Informações reveladas até o momento dos esquemas no MEC dão conta de que as verbas do fundo estariam sendo usadas para privilegiar aliados do Centrão, em especial prefeitos ligados a Lira e ao ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, também do PP. Vale ressaltar que o FNDE é comandado por Marcelo Ponte, ex-assessor de Nogueira.
A revelação de que Alagoas é o estado mais abastecido pelo fundo reforça as suspeitas de uso político no fundo. Na terça, o jornal Folha de S. Paulo mostrou como o governo federal tem travado 434 milhões de reais que seriam destinados a concluir obras de escolas inacabadas enquanto libera recursos para que aliados comprem kits de robótica vendidos com valores 420% superiores ao praticado no mercado. Lira também está no centro deste caso, já que a Megalic, fornecedora dos kits, é ligada ao seu aliado político, o vereador de Maceió João Catunda (PP).
Parte dos recursos empenhados pelo fundo também vem sendo usado para anunciar escolas que, ao que tudo indica, não sairão do papel. Isso porque o governo tem em mãos 3,5 mil obras paradas, não podendo, portanto, investir na construção de 2 mil novas unidades como tem anunciado. O recurso necessário para concluir as obras também não existe e levaria 51 anos para ser pago pelo FNDE, se levado em conta o orçamento atual do fundo.
Questionado pela reportagem sobre o recebimento de recursos do FNDE, Lira não respondeu. MEC e FNDE também não se posicionaram. Prefeituras de Alagoas que foram agraciadas com mais recursos também foram procuradas, mas não encaminharam suas versões no caso.
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