Educação

Empresa de aliado de Lira vendeu kit robótica 420% mais caro do que valor de mercado

Equipamentos foram comprados por prefeituras com recursos do governo federal liberados por emendas de relator, mecanismo principal do orçamento secreto

O presidente da Câmara, Arthur Lira. Foto: SERGIO LIMA/AFP
O presidente da Câmara, Arthur Lira. Foto: SERGIO LIMA/AFP
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A empresa Megalic, ligada ao vereador de Maceió João Catunda (PSD), que é aliado de Arthur Lira (PP), vendeu kits de robótica para prefeituras com uma diferença de 420% em relação ao preço que declarou ter pago.

Os equipamentos foram comprados pelos municípios com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), administrado pelo Centrão com aval de Jair Bolsonaro (PL). As informações foram reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo nesta quarta-feira 13.

Ao todo, cada kit de robótica custou 14 mil reais para as prefeituras. Uma nota fiscal da Megalic obtida pelo jornal mostra que a empresa pagou apenas 2,7 mil reais em cada equipamento, adquiridos da empresa Pete, de São Carlos, no interior de São Paulo. A Megalic, portanto, venceu as licitações como intermediária na operação.

O custo de 14 mil reais por cada kit de robótica, segundo a reportagem, supera o valor praticado no mercado até para equipamentos de ponta importados. Ainda assim, foram adquiridos por sete cidades alagoanas, reduto eleitoral de Lira, e mais duas cidades pernambucanas. São elas: em Alagoas, União dos Palmares, Canapi, Barra de Santo Antonio, Santana do Mundaú, Branquinha, Maravilha, Flexeiras; e em Pernambuco, Bom Jardim e Carnaubeira da Penha.

Todas as licitações seguiram um modelo praticamente idêntico, com solicitações que praticamente reproduzem a composição dos robôs fornecidos pela Megalic. Segundo a reportagem, o pedido especificava sensores que só o kit da empresa do aliado de Lira teria. Em materiais de grandes empresas como a Lego, referência no mercado, os sensores são adquiridos separadamente.

Ao todo, as sete cidades alagoanas receberam 26 milhões de reais para adquirir os kits. O valor sobe para 31 milhões de reais quando somado aos recursos liberados para os dois municípios pernambucanos. Recentemente, o jornal já havia mostrado que os kits haviam sido comprados por escolas que não possuem nem mesmo recursos básicos de infraestrutura, como água e computadores.

Em 2022, a Megalic já recebeu 54 milhões de reais em depósitos de prefeituras do Brasil. Em 2021, o montante foi de 15 milhões de reais. Outras licitações realizadas diretamente por municípios, sem recursos federais, e vencidas pela empresa estão sob suspeita. É o caso do pregão vencido em Dourados, no Mato Grosso do Sul, onde a licitação de 17 milhões de reais está sob a mira do Ministério Público. A cidade é comandada por Alan Guedes, do PP.

Vale ressaltar ainda que, assim como nos casos envolvendo o lobby de pastores no FNDE, os recursos para aliados de Lira, que opera o orçamento secreto na Câmara, foram liberados em tempo recorde. Ao jornal, a secretária de Educação de Flexeiras (AL) confirmou que Lira colaborou para acelerar as transferências de recursos do MEC.

A Megalic tem sede em Maceió e seus donos são Roberta Lins Costa Melo e Edmundo Catunda, que é pai do vereador Catunda, aliado de Lira. A empresa não quis se manifetar ao jornal. A Pete, fornecedora dos kits para a empresa, também não respondeu aos contatos.

Já o MEC e FNDE seguem sem se pronunciar sobre os casos suspeitos em que estão envolvidos. A pasta está no centro dos escândalos recentes do governo Bolsonaro, em todos os casos, a suspeita é de liberação de recursos a aliados do PP e de outras siglas do Centrão. Marcelo Ponte, que administra o fundo é ex-chefe de gabinete de Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil. Há ainda diversos indícios de superfaturamento em compras, bem como a construção de ‘escolas fake’, com recursos que sequer existem. Os pedidos de propina no MEC também envolvem a liberação de recursos do FNDE.

 

CartaCapital
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