Política
Malafaia se posiciona sobre pastores no MEC: ‘Ministro tem que provar que é honesto, com documentos’
Pastor, considerado o principal conselheiro de Bolsonaro, não está convencido com as explicações de Ribeiro até o momento
O pastor Silas Malafaia, considerado o principal conselheiro de Jair Bolsonaro (PL), não está convencido das explicações fornecidas por Milton Ribeiro até o momento no caso envolvendo o gabinete paralelo de pastores no Ministério da Educação. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira 22, Malafaia pediu que o ministro apresente documentos que comprovem sua honestidade.
“O ministro é pastor e tem que provar sua honestidade”, disse. “Ele não pode ser genérico nas afirmações. Ele tem que mostrar com documentos o que esses dois caras pediram no ministério, se era lícito, o que foi liberado e onde o dinheiro foi parar”, cobrou Malafaia em seguida.
Os ‘dois caras’ a quem Malafaia se refere são os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, da igreja Assembleia de Deus. Os religiosos são acusados de formarem um gabinete paralelo para intermediar a liberação de verbas do MEC a prefeitos ligados à igreja. As denúncias apontam o pedido de propina de 15 mil reais e 1 quilo de ouro por um dos pastores para pagar sua atuação. Com intermediação de Gilmar e Arilton, verbas que nos trâmites regulares demoravam meses a serem liberadas, chegaram a ser empenhadas em apenas 16 dias.
A existência do gabinete e atuação dos pastores foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo ministro da Educação em áudio revelado nesta terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo. Na gravação, Ribeiro diz que prioriza os ‘amigos dos pastores’ por um pedido direto de Bolsonaro. Ele ainda diz que, em troca, o governo receberá apoio das igrejas.
O modus operandi do gabinete paralelo também é confirmado em diversas entrevistas concedidas pelos religiosos após participação em agendas oficiais do governo federal e encontros com os prefeitos. Gilmar e Arilton têm trânsito livre nos ministérios de Brasília. Em ao menos quatro ocasiões, estiveram reunidos com o presidente.
Para Malafaia, como os envolvidos também são pastores, ‘a transparência tem que ser a máxima possível’. “[A população] já tem um preconceito quando se fala de dinheiro e de pastores”, justifica Malafaia. Na conversa, apesar da cobrança, não fica claro se o pastor pedirá a demissão de Ribeiro a Bolsonaro.
A bancada evangélica informou que irá se pronunciar oficialmente em nota nesta quarta-feira. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do grupo, alegou que iria esperar uma posição do ministro e evitou avaliar a nota divulgada por Ribeiro até o momento. Ele também buscou se afastar do chefe da pasta, alegando que Ribeiro não foi uma indicação da sua bancada.
O ‘desembarque’ de religiosos e políticos da base de apoio a Ribeiro aumentam os rumores de sua saída. Nos bastidores, notícias indicam que o Centrão pressiona a saída do ministro e pretende indicar outro aliado para a pasta. A bancada evangélica também teria interesse em nomear um indicado ao cargo. Os filhos do presidente resistem à demissão.
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