Política

Pastor do gabinete paralelo pediu 1 kg de ouro a prefeito em troca de verbas do MEC, diz jornal

Propina teria sido tratada abertamente em restaurante de Brasília e na presença de 20 gestores municipais

Ex-ministro da Educação com os pastores Arilton Moura (ao fundo) e Gilmar Santos.

Foto: Reprodução
Ex-ministro da Educação com os pastores Arilton Moura (ao fundo) e Gilmar Santos. Foto: Reprodução
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O pastor Arilton Moura, um dos integrantes do gabinete paralelo no Ministério da Educação, pediu 1 quilo de ouro em troca da liberação de verbas da pasta ao prefeito Gilberto Braga (PSDB) da cidade de Luis Domingues, no Maranhão. O pedido de propina teria sido feito em um restaurante em Brasília na presença de mais de 20 gestores municipais. O episódio foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Em 15 de abril de 2021, o prefeito Braga esteve na capital federal para participar de um evento oficial do MEC que contou com Arilton Moura e Gilmar Santos em posição de destaque, ao lado do ministro Milton Ribeiro. Os pastores não têm cargo na pasta, mas seriam assessores informais para negociar liberação de recursos. A atuação foi confirmada pelo ministro em áudio revelado na terça-feira 21, em que Ribeiro diz que prioriza ‘os amigos dos pastores’ a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Após o evento, os pastores teriam convidado cerca de 20 prefeitos e assessores municipais para um almoço em um restaurante de Brasília. No local, Arilton fez então o pedido da quantia em ouro em troca de facilitar a liberação, além de 15 mil reais. Registros dão conta de que, quando intermediada pelos pastores, as verbas levam poucos dias para serem empenhadas. No processo regular, os recursos podem demorar meses e até anos para serem liberados.

O relato de Braga foi confirmado pelo jornal Folha de S. Paulo desta quarta-feira com outros dois assessores municipais que estiveram presentes no restaurante em Brasília. Segundo o prefeito, ele não deu prosseguimento ao pedido de Arilton. De acordo com o jornal, duas obras já estão em execução no município e há um empenho de 4 milhões de reais aprovados no fim do ano passado para duas outras benfeitorias na cidade. Os dados constam no sistema do MEC.

A existência do gabinete paralelo foi revelada nas últimas semanas. De modo geral, dois pastores ligados à igreja Assembleia de Deus, Gilmar Santos e Arilton Moura, intermediam a liberação de recursos do FNDE a prefeitos aliados. A atuação ocorreria, segundo áudio do ministro, a pedido do próprio presidente Jair Bolsonaro. O gabinete das sombras no MEC estaria em funcionamento desde janeiro de 2021.

Os religiosos cumpriram dezenas de agendas formais ao lado do ministro e têm trânsito livre nos gabinetes do governo federal, incluindo encontros com o presidente Bolsonaro. Em troca da atuação no MEC, os pastores, segundo áudio de Ribeiro, dariam apoio ao governo nas igrejas. Os detalhes de como se dá este apoio na prática ainda não foram revelados.

Em nota, o ministro não desmentiu o áudio, mas negou que dê preferência aos ‘amigos dos pastores’ e que isso tenha sido uma solicitação do ex-capitão. Ele alega que o pedido de Bolsonaro teria sido para atender a todos. A liberação de recursos, segundo justifica Ribeiro, seguiria os trâmites legais, sem interferência dele ou dos pastores.

Parlamentares da oposição já recorreram ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República com solicitações de investigações no caso. Um pedido de abertura de CPI também foi apresentado. Há ainda a expectativa de que Ribeiro seja convocado a explicar o caso no Congresso. O Tribunal de Contas da União também abriu um procedimento. Entidades estudantis pedem a demissão do ministro.

CartaCapital
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