Política
Senador vai ao STF e pede apuração de suposta ‘rachadinha’ de Davi Alcolumbre
Alessandro Vieira solicita que a peça chegue a Augusto Aras para a realização de diligências e a tomada dos depoimentos
O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) apresentou uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal para pedir uma apuração da suposta prática de “rachadinha” no gabinete do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Casa.
A solicitação de Vieira se baseia em reportagem da revista Veja que afirma que Alcolumbre empregou funcionárias fantasmas por cinco anos. Admitidas, elas abriam uma conta em um banco, entregavam o cartão e a senha a uma pessoa da confiança do senador e, em troca, ganhavam uma pequena gratificação. Salários, benefícios e verbas rescisórias a que teriam direito não ficavam com elas. O valor estimado da fraude é de pelo menos 2 milhões de reais, de acordo com a revista.
“Não se pretende – repise-se – atribuir sumariamente culpa ao senador Davi Alcolumbre, mas apenas levar ao conhecimento desta Corte fatos que, se vierem a ser reputados verdadeiros, merecem a devida e ulterior responsabilização”, diz Vieira no documento encaminhado ao Supremo.
O parlamentar do Cidadania ainda escreve que “o senador em questão é titular de mandato eletivo majoritário, ex-presidente do Senado Federal e ocupa atualmente a presidência da Comissão de Constituição, Cidadania e Justiça do Senado Federal.”
“É despiciendo dizer que não pode alegar desconhecimento do que se passa em seu próprio gabinete – ainda mais considerando-se, segundo o conteúdo veiculado, que as funcionárias ‘fantasmas’ nunca compareceram naquele recinto.”
Vieira pede ao STF que a notícia-crime chegue ao procurador-geral da República, Augusto Aras, para a realização de diligências e a tomada dos depoimentos das seis ex-funcionárias do gabinete de Alcolumbre supostamente envolvidas.
Após a publicação das notícias, Alcolumbre divulgou uma nota na sexta-feira 29 em que nega ter operado esquema de “rachadinha” em seu gabinete.
“Nunca, em hipótese alguma, em tempo algum, tratei, procurei, sugeri ou me envolvi nos fatos mencionados, que somente tomei conhecimento agora, por ocasião dessa reportagem”, afirmou. “Tomarei as providências necessárias para que as autoridades competentes investiguem os fatos.”
Mendonça
Desde julho, Alcolumbre resiste em pautar na CCJ a indicação do ex-ministro da Justiça André Mendonça para o STF. A escolha do nome foi encaminhada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas depende de sabatina na comissão e de aprovação no plenário.
Nos últimos meses, Alcolumbre foi criticado publicado pelo ex-capitão devido ao impasse para convocar a sabatina. O presidente da CCJ relacionou o cenário às acusações. Neste mês, ele teve um primo, o ex-deputado estadual Isaac Alcolumbre, preso em uma operação da Polícia Federal.
Ao se defender, o senador diz ser vítima de uma “orquestração” política. “Continuarei exercendo meu mandato sem temor e sem me curvar a ameaças, intimidações, chantagens ou tentativas espúrias de associar meu nome a qualquer irregularidade”, disse em nota. “É nítido e evidente que se trata de uma orquestração por uma questão política e institucional da CCJ e do Senado Federal.”
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