Sustentabilidade

Registro de armas de fogo na Amazônia Legal aumenta 219% em três anos

A análise do Instituto Igarapé aponta que no mesmo período, entre 2018 e 2021, o registro de armas por pessoas físicas no País subiu 130,4%

Foto: Divulgação/Comando Militar da Amazônia
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Um boletim divulgado nesta sexta-feira 22 pelo Instituto Igarapé faz um alerta sobre a circulação de armas na Amazônia Legal, um movimento visto como ‘descontrole’.

A análise aponta que entre 2018 e 2021, enquanto o registro de armas por pessoas físicas no País subiu 130,4%, o crescimento na Amazônia Legal foi de 219%.

Nos estados da Amazônia Legal, as armas registradas saltaram de 57.737 em 2018 para 184.181 em 2021.

A participação das armas da Amazônia Legal no total do País também cresceu no período: eram 8,3% em 2018 e chegaram a 11,5% em 2021.

Amazônia Legal na contramão dos índices de homicídios

A região, atesta o relatório, está na contramão dos índices de homicídios no Brasil. Entre 2012 e 2020, o número de mortes caiu 13% no País: de 57.045 para 49.898. Na Amazônia Legal, contudo, houve um aumento de 2% nos homicídios no período: de 8.936 para 9.084.

Também subiram as mortes por armas de fogo na região. Enquanto no Brasil os homicídios por armas de fogo caíram 15% entre 2012 e 2020, passando de 40.071 para 33.993, a Amazônia Legal viu esses crimes aumentarem 4%, de 5.537 para 5.780. Em 2012, 14% dos homicídios com armas de fogo registrados no Brasil foram cometidos na Amazônia Legal. Oito anos depois, esse volume subiu para 17%.

O levantamento indica que onze estados apresentaram aumento nos homicídios entre 2012 e 2020. Cinco estados da Amazônia Legal estão entre eles: Acre, Amapá, Maranhão, Roraima e Tocantins. Esses estados também registraram aumento nas mortes por armas de fogo.

Aumento de armas de caçadores, atiradores e colecionadores

O boletim também chama a atenção para o aumento do registro de armas compradas por caçadores, atiradores e colecionadores – os CACs – registradas na região junto ao Exército. Atiradores esportivos podem ter até 60 armas, sendo 30 de uso restrito, como os fuzis semiautomáticos. Já os caçadores esportivos têm um limite de até 30 armas, 15 de uso restrito.

Na região militar de Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, a variação de registros de CACs foi de 469,4%. Em toda a Amazônia Legal, essa variação é de 280,5%, ante 126,7% no País.

Também é maior na região da Amazônia legal, se comparada ao restante do Brasil, a variação de registros de armas feitos por cidadãos comuns junto à Polícia Federal, em sua maioria revólveres ou pistolas, em duas categorias principais: “cidadãos” e “servidores públicos” – estes têm o porte por prerrogativa de função. O percentual de registros na região ficou em 197,6%, ante 134,2% no Brasil.

O boletim alerta para o cenário de aumento ‘desacompanhado de qualquer medida de aperfeiçoamento das capacidades de controle estatal desses arsenais’ e aponta desafios crescentes diante de diferentes tipos de violência na região, como conflitos, assassinatos, crimes ambientais alimentados por cadeias criminosas e presença de diferentes facções do tráfico de drogas.

CartaCapital
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