Sustentabilidade

Novo projeto de Salles é método para ‘virar sócio de boiada’, diz organização

Governo lançou o ‘Adote um Parque’, que busca captar recursos do setor privado para unidades de conservação no âmbito federal

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles lançou, na terça-feira 10, o projeto “Adote um Parque”, que busca captar recursos do setor privado para unidades de conservação no âmbito federal.

No entanto, as repetidas ações de desmonte dos órgãos ambientais e o risco de dissolução do ICMBio, autarquia que justamente cuida das reservas nacionais, fez com que o projeto fosse nomeado de “Adote 1 Ecocida” pela organização Observatório do Clima.

“A iniciativa prevê que empresas privadas deem dinheiro ao Ministério do Meio Ambiente para supostamente conservar áreas protegidas enquanto o ministro Ricardo Salles planeja a extinção do Instituto Chico Mendes, reduz orçamento para combate ao desmatamento e deixa parados bilhões de reais que poderiam ser usados em ações de redução do desmatamento e atividades econômicas sustentáveis”, escreve a organização, que define o Carrefour, primeira empresa a apoiar publicamente o projeto, como “sócia da boiada”.

A primeira fase do programa foi inaugurada com a presença do presidente Jair Bolsonaro e do presidente do Carrefour na América Latina, Noel Prioux. Segundo o governo, essa fase é voltada exclusivamente às 132 unidades de conservação federais na Amazônia.

A unidade de conservação adotada pelo Carrefour é a Reserva Extrativista (Resex) do Lago do Cuniã, em Rondônia, com cerca de 75 mil hectares. O valor anual de repasse da empresa será de aproximadamente 3,8 milhões de reais.

O Observatório contesta a narrativa criada por Salles – de que faltam recursos para preservar a Amazônia de queimadas, desmatamento, invasões de terra e afins – ao relembrar os recursos milionários parados no Ministério por escolhas políticas do governo.

“O governo tem ainda 2,9 bilhões do Fundo Amazônia, que não gasta em projetos de proteção da floresta e fiscalização ambiental porque não quer — e está sendo processado no STF por deixar o dinheiro parado”, afirmam em nota publicada após a cerimônia de abertura do programa.

Há também a lembrança do “maior programa de ‘adoção de parques’ em florestas tropicais do mundo”, o Arpa (Áreas Protegidas da Amazônia), criado em 2002 com recursos internacionais. “O Arpa já executou 389 milhões de reais e tem mais 215 milhões de dólares para executar em sua fase atual”, complementam.

Questionada pela organização se concordava com a proposta de Salles de fechar o ICMBio, o Carrefour “limitou-se a dizer que ‘avalia positivamente’ o programa anunciado hoje pelo governo.”

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