Sustentabilidade

No governo Bolsonaro, desmatamento aumentou em todos os biomas, diz estudo

Área desflorestada corresponde a quase um estado do RJ em vegetação nativa desde o início da gestão atual

Ataques vão resultar em mais desmatamento na Amazônia, diz WWF-Brasil
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Desde o início do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), o Brasil perdeu uma área correspondente a 42 mil km² de vegetação nativa, extensão equivalente ao estado do Rio de Janeiro. O dado consta no Relatório Anual de Desmatamento no Brasil, do MapBiomas, divulgado nesta segunda-feira 18. 

Segundo o documento, somente em 2021 foram destruídos cerca de 16 mil km², um aumento de 20% em relação ao ano anterior. 

Em dados absolutos, a Amazônia é o bioma com maior território afetado: 59% do total. Na sequência, aparecem o Cerrado (30%), Caatinga (7%), Mata Atlântica (1,8%), Pantanal (1,7%) e Pampa (0,1%). 

O estado do Pará é o recordista de destruição florestal. O Amazonas, que era o quarto no ranking em 2020, apareceu agora em segundo lugar.

O estudo também mostrou que a velocidade média de desmatamento no País aumentou. “Com uma média diária de 191 novos eventos, a área de desmatamento por dia em 2021 foi de 4.536 hectares —ou 189 hectares por hora”, diz trecho do relatório. 

Somente na região amazônica, foram 111,6 hectares desmatados por hora ou 1,9 hectare por minuto, equivalendo a 18 árvores por segundo.

A organização cruzou os dados de áreas protegidas, autorizações e CARs (cadastro ambiental rural) e encontrou irregularidade de 98,6% dos casos de desmatamento. Segundo os dados, 77% da área total desmatada encontra-se em imóveis cadastrados no CAR. 

“Isso significa que, em pelo menos 3/4 dos desmatamentos, é possível encontrar um responsável”, diz o MapBiomas.

Apesar da possibilidade real de responsabilização e interrupção da degradação florestal, 19 mil imóveis são reincidentes no desmatamento. 

“Para resolver o problema da ilegalidade é necessário atacar a impunidade — o risco de ser penalizado e responsabilizado pela destruição ilegal da vegetação nativa precisa ser real e devidamente percebido pelos infratores ambientais”, explica Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas.

Entre as atividades que mais desmatam, o agronegócio é o campeão isolado, representando 97,8% da destruição de biomas nativos. 

Dentre as áreas que apresentaram aumento de desmatamento nos últimos três anos, 69,5% estão em propriedades privadas, outros 5,3% são em área protegidas, 36% em unidades de conservação e 1,7% em terras de demarcação indígena. 

A Área de Proteção Ambiental do Triunfo do Xingu e a Floresta Nacional do Jamanxim, ambas no Pará, são as mais atingidas. “Do total de 573 Terras Indígenas no Brasil, 232 (40,5%) tiveram pelo menos um evento de desmatamento em 2021”, cita trecho do documento. 

Outro dado preocupante trata das ações realizadas pelos órgãos de controle ambiental para conter o desmatamento. Até maio de 2022, o IBAMA e o ICMBio autuaram apenas em 2,4% dos casos de desmatamento. 

Para reverter a situação, o coordenador do estudo afirma ser preciso atuar em três frentes. “É necessário assegurar que todo desmatamento seja detectado e reportado; que todo desmatamento ilegal receba ação de responsabilização e punição dos infratores; e que o infrator não se beneficie da área desmatada ilegalmente e receba algum tipo de penalização”, disse. 

O estudo usou como base de análise cerca de 70 mil alertas de desmatamento em 2021 feitos pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real, o Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. 

Marina Verenicz
Repórter do site de CartaCapital

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