Inpe: Desmatamento na Amazônia é recorde histórico para o mês de junho

Área desmatada foi de 1.061,9 km², de acordo com sistema do Instituto de Pesquisas Espaciais; é o quarto mês consecutivo com piores índices

Parte da floresta amazônica desmatada (Foto: CARLOS FABAL / AFP)

Parte da floresta amazônica desmatada (Foto: CARLOS FABAL / AFP)

Sustentabilidade

O desmatamento na Amazônia atingiu em junho de 2021 uma área de 1.061,9 km², o pior índice para esse mês desde o início da série histórica, segundo dados do sistema Deter do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número representa um aumento de 1,8% em relação ao mesmo mês de 2020.

Foi o quarto mês consecutivo com recorde de devastação ambiental este ano. Só os primeiros seis meses somaram 3.609,6 km² de área desmatada, um crescimento de 17% em relação ao primeiro semestre do ano passado. O Pará foi o estado com maior área desmatada em junho, com 438,4 km², o equivalente a 41% do total registrado na região durante o mês.

Os números indicam que o desmatamento anual, medido de agosto a julho, deverá ultrapassar pela terceira vez consecutiva a marca de 10 mil km² de destruição florestal, segundo a rede de organizações da sociedade civil Observatório do Clima (OC), o que não ocorria desde 2008.

Ainda faltam os dados do mês de julho para fechar o levantamento do Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que consolida os índices anuais. O último levantamento do Prodes, divulgado em novembro, mostrou um avanço de 9,5% do desmatamento na região.

Na terça-feira 6, o vice-presidente Hamilton Mourão, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para presidir o Conselho Nacional da Amazônia Legal (CNAL​), afirmou ter como objetivo atingir uma redução de até 12% na taxa anual de desmate.

Mourão deslocou cerca de 3 mil militares das Forças Armadas para atuar em ações de apoio e combate ao desmatamento. A medida faz parte nova operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na Amazônia, que teve início na semana passada e se estenderá inicialmente até agosto, podendo ser prorrogada.

 

 

 

Para o Observatório do Clima, a meta apresentada é “inaceitável”. A organização aponta que o objetivo de reduzir em cerca de mil km² a área devastada representa um aumento de 150% em relação à meta de 3.925 km² de desmatamento fixada em 2009 na lei da Política Nacional sobre Mudança Climática. A organização afirma que nos primeiros anos do governo Bolsonaro a média de desmatamento, que antes registrava 6,4 mil km² anualmente, passou para 10,4 mil km².

“Desde o início, o regime Bolsonaro sabota os órgãos de fiscalização ambiental e adota medidas para favorecer quem destrói nossas florestas. Os altos índices de desmatamento não ocorrem por acaso: são resultado de um projeto do governo. Bolsonaro é hoje o pior inimigo da Amazônia”, afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do OC, em nota.

O  Greenpeace Brasil também se manifestou sobre a operação e declarou que a medida é “comprovadamente ineficaz”. “É mais um triste recorde para a floresta e seus povos, esse número só confirma que o governo federal não tem capacidade de combater toda essa destruição ambiental. Enviar o exército à Amazônia, somente neste momento em que o fogo e a devastação estão, mais uma vez, avançando sobre a floresta, é uma estratégia tardia e equivocada, deixando evidente que na verdade não há interesse em combater o desmatamento”, afirma Rômulo Batista, porta-voz da campanha Amazônia do Greenpeace.

A ONG afirma que o atual governo fragilizou órgãos de fiscalização, como Ibama e ICMBio.

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Repórter do site de CartaCapital

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