Sustentabilidade

Gasto militar na Amazônia cresce 178%, mas desmatamento se mantém em alta

Governo gasta mais em segurança do que em preservação ambiental

Os desmatadores 
têm licença para agir. Foto: Thomas Mendel/Amazônia Real
Os desmatadores têm licença para agir. Foto: Thomas Mendel/Amazônia Real
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Relatório parlamentar aponta que o orçamento para ações de proteção e combate ao desmatamento na Amazônia continuam a cair, enquanto o montante investido em ações das Forças Armadas cresceram 178%.  A informação é do jornal O Estado de S. Paulo.

Autorizadas pelo presidente Jair Bolsonaro, as Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLOs), que fazem o combate ao desmatamento da floresta amazônica, não conseguiram reduzir a derrubada de árvores e destruição. 

Desde 2019, a área desmatava se manteve acima dos 10 mil km². 

O documento, feito pelo gabinete compartilhado formado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e pelos deputados Tabata Amaral (PSB-SP) e Felipe Rigoni (PSB-ES), aponta que o orçamento para ações tradicionalmente associadas à preservação do meio ambiente vem caindo, saindo de 1,07 bilhão de reais em 2014 para 647 milhões em 2020, em valores corrigidos.

 

Em 2020, o queda foi maior do que no ano anterior.  A queda se deu por um maior investimento nas GLOs. No ano passado, 389 milhões de reais foram investidos nessas operações. Os gastos militares já representam 37% de todo o valor investido para frear a derrubada da floresta.

Os parlamentares responsáveis pelo levantamento entendem que a alocação de verba nas GLOs está longe de apresentar resultados. Conforme o relatório parlamentar, há uma forte correlação entre investimentos no meio ambiente e queda no desmatamento. O mesmo não se comprova em relação às ações militares na Amazônia.

Entre agosto de 2020 e julho de 2021, o desmatamento acumulado na Amazônia foi o segundo maior do governo Jair Bolsonaro e o terceiro maior da série histórica do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), iniciada em 2015.

“O governo fez uma aposta numa forma de combate ao desmatamento que não se mostrou efetivo. Não tem nada que mostre que GLOs funcionam”, diz Henrique Xavier, cientista de dados e autor da pesquisa. 

“Ele (governo) por vezes usa o argumento da quantidade de madeira apreendida, mas quando faz isso não apresenta comparação. Não quer dizer que o desmatamento possa estar caindo”, afirma o pesquisador. 

O relatório conclui, com base nos dados apurador, que a estratégia de combate ao desmatamento na Amazônia falhou. 

Segundo dados observados, o acréscimo de um milhão de reais em orçamento ligado a ações de preservação do meio ambiente, resulta em uma redução de quase 12 km² no desmatamento anual. O mesmo já não pode ser dito das GLOs. Com o mesmo valor investido, observa-se uma perda extra de 6,5 km² de floresta.

Para o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), a opção do governo federal de investir nas GLOs ambientais junta o componente ideológico ao interesse de reforçar o orçamento dos militares. “Temos de começar a discutir o emprego de militares em diversos postos”, diz. “Há uma ideologia desse governo de que os militares podem fazer melhor do que os civis qualquer coisa. Ao mesmo tempo, há o interesse em aumentar o orçamento militar.”

Conforme a última divulgação de dados do Deter, o desmatamento acumulado entre agosto de 2020 e julho deste ano na Amazônia foi o segundo maior do governo Jair Bolsonaro e o terceiro maior da série histórica, iniciada em 2015.

Marina Verenicz
Repórter do site de CartaCapital

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