Sustentabilidade

Desmatamento na Amazônia já é o maior desde 2008, revela Inpe

‘Estamos colhendo o que o governo plantou desde a campanha eleitoral’, diz organização ambientalista

Operação do Ibama combate focos de incêndio na Amazônia. (Foto: Vinícius Mendonça/Ibama)
Operação do Ibama combate focos de incêndio na Amazônia. (Foto: Vinícius Mendonça/Ibama)
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A crise da Amazônia não acabou: em 2019, o índice de desmatamento aumentou 29,5% em relação ao ano passado e bateu recordes não vistos desde 2008. De acordo com dados do PRODES (Programa de Cálculo do Desflorestamento da Amazônia) liberados nesta segunda-feira 18, 9762 km² de floresta foram destruídos este ano.

A divulgação foi feita pelo Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais), responsável pelo monitoramento feito pelo PRODES, em um evento em São José dos Campos, interior de São Paulo. O ministro Ricardo Salles, da pasta de Meio Ambiente, estava presente, assim como Marcos Pontes (Ministério da Ciência) e o diretor interino do Inpe, Darcton Damião.

O desmatamento vem crescendo desde 2017, após os números terem apontado uma pequena queda em relação aos dados do ano anterior. As taxas anuais são primeiramente detectadas pelo PRODES a partir das imagens de satélite que cobrem a Amazônia Legal.

Em um primeiro momento, são apresentados dados brutos sobre as estimativas de desmatamento. No primeiro semestre de 2020, devem ser liberados os dados consolidados com outros sistemas de monitoramento.

Entidades ambientalistas relacionam o discurso do presidente Jair Bolsonaro ao aumento da atividade ilegal na floresta. Desde a campanha eleitoral, Bolsonaro critica uma suposta “indústria de multas” composta pelo Ibama e por demais órgãos de fiscalização, além de demonstrar interesse em legalizar o garimpo na Amazônia.

Nas queimadas que colocaram o Brasil em evidência global, Bolsonaro criticava a demarcação das terras indígenas e apontava, entre os culpados, os povos originários pela prática da queimada de roça.

“Estamos colhendo o que o governo plantou desde a campanha eleitoral. O projeto antiambiental de Bolsonaro sucateou a capacidade de combater o desmatamento, favorece quem pratica crime ambiental e estimula a violência contra os povos da floresta. Seu governo está jogando no lixo praticamente todo o trabalho realizado nas últimas décadas pela proteção do meio ambiente”, diz Cristiane Mazzetti, da campanha Amazônia do Greenpeace, em nota divulgada pela organização.

As ONG’s também foram alvos de ataques e até atribuição de culpa por parte de Bolsonaro. Ambos chegaram a criticar os dados divulgados pelo Inpe, o que ocasionou na exoneração do ex-presidente do Instituto, o pesquisador Ricardo Galvão.

Giovanna Galvani

Giovanna Galvani É repórter do site de CartaCapital.

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