Sustentabilidade

Apesar de promessas, grandes empresas não agem contra o desmatamento, denuncia estudo

De acordo com a ONG Global Canopy, uma em cada três empresas estudadas não se comprometeu a proteger as florestas

Devastação. De 2020 a 2021, o desmatamento atingiu 13 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia
Devastação. De 2020 a 2021, o desmatamento atingiu 13 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia

Grandes empresas e instituições financeiras com maior potencial para combater o desmatamento global atuam sem levar em conta as metas globais de proteção das florestas. Essa é a conclusão de um estudo publicado nesta quinta-feira (13) pela ONG Global Canopy.

A organização não governamental revisou os dados de 350 empresas acusadas de serem as maiores responsáveis pelo desmatamento, direta ou indiretamente. Além disso, as atividades de 150 bancos, fundos de investimento e de pensão que financiam essas empresas foram observadas.

De acordo com essa análise, uma em cada três empresas estudadas não se comprometeu a proteger as florestas. Já 72% delas têm algum objetivo sobre o tema, mas que não se estende a todos os seus produtos ou atividades relacionadas ao desmatamento.

Da lista, 42 empresas levam em consideração a questão do impacto nas florestas na hora de escolher parte de seus fornecedores. No topo do ranking, nove exigem que todas as empresas com quem negociam tenham ações contra o desmatamento. Segundo a ONG, as brasileiras Amaggi e JBJ fazem parte desse grupo restrita.

Algumas empresas têm metas para produtos específicos, principalmente soja, carne bovina ou couro, mas “não fornecem evidências de como vão lançá-las”. “Pouquíssimas empresas reconhecem os riscos climáticos causados pelo desmatamento e menos ainda incluem sua cadeia de suprimentos nas avaliações”, disse Niki Mardas, da organização Global Canopy.

Bons alunos, mas nem tanto

Cerca de 60 empresas, muitas delas da China, Brasil e Argentina, mas também na Rússia e na Venezuela, receberam a menor pontuação possível. Sete são brasileiras (BF Logistics, Camera Agroalimentos S.A., Directa Line, EURO AMERICA, Grupo Bom Retiro, Grupo Jari e Irmãos Gonçalves). Das 15 melhores colocadas no ranking, apenas duas estão no Brasil (Suzano Group e Amaggi), ao lado de empresas como Cargill, Colgate-Palmolive, Nestlé, Unilever e PepsiCo.

Se analisadas as entidades financeiras, 93 das 150 estudadas não possuem uma política de desmatamento que cobre as empresas e investimentos mais dependentes de projetos que afetam as florestas. Apenas cerca de vinte bancos ou empresas de investimento têm uma política para analisar os avanços no desmatamento.

Grupos como BNP Paribas, Deutsche Bank, HSBC, Mitsubishi UFJ Financial ou ainda Société Générale e Standard Chartered aparecem como os melhores alunos da lista, mesmo se, segundo o estudo da Canopy, seus esforços ainda são insuficientes. Já entre as mais de 60 instituições bancárias e de investimentos com as piores notas, mais da metade estão nos Estados Unidos e três são brasileiras (Bradesco, Atmos Capital Gestão de Recursos e Dynamo – Administração de Recursos).

“Não é uma opção, mas uma necessidade”

“Reduzir a agricultura que incentiva o desmatamento para cortar pela metade as emissões e reparar a destruição da biodiversidade até 2030 não é uma opção, mas uma necessidade para empresas comprometidas com a credibilidade da neutralidade de carbono”, comentou Nigel Topping, ex-presidente da ONG sobre o clima We Mean Business. “Sem isso, não seremos capazes de limitar o aquecimento a 1,5°C em comparação com a era pré-industrial.

Em novembro, durante a conferência do clima da ONU COP26 em Glasgow, cerca de 140 países, entre eles o Brasil e a China, se comprometeram a suspender e reparar a degradação das florestas até 2030.

As emissões de gases ligadas ao desmatamento das florestas tropicais já são mais elevadas que as produzidas pela União Europeia ou a Índia. Ficam atrás apenas dos maiores poluidores do planeta: a China e os Estados Unidos.

(Com informações da AFP)

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