Amazônia tem abril com maior desmatamento dos últimos 5 anos

Situação de 580 km² devastados pode ser ainda pior devido à presença de nuvens que bloquearam uma análise precisa dos satélites

(Foto: Lula SAMPAIO / AFP)

(Foto: Lula SAMPAIO / AFP)

Sustentabilidade

O monitoramento do Instituto Nacional de Políticas Espaciais (Inpe) sobre a Amazônia no mês de abril registrou um salto de 42% nos alertas de desmatamento, em relação a março, e a maior área destruída desde 2016, quando começa a série histórica do órgão: foram 580,55 km² de floresta desmatada.

As informações foram atualizadas nesta sexta-feira 7 no site do Deter, do Inpe, com dados contabilizados até o dia 29 de abril.

A cifra chama a atenção principalmente por vir após um esforço do governo federal de melhorar sua imagem no exterior em relação ao desmatamento no bioma, com destaque para o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Cúpula de Líderes convocada por Joe Biden em abril.

As evidências do monitoramento por satélite podem ser até piores do que as publicadas, afirma a organização Observatório do Clima. Isso porque 26% da Amazônia estava coberta de nuvens, portanto, invisível ao satélite. Esse foi o maior percentual de nuvens para o mês na série histórica, afirmam.

 

 

Neste ano, outro recorde mensal em março também foi registrado a despeito das comemorações do governo sobre uma queda de 15% nos alertas verificada entre agosto de 2020 e abril de 2021 – possível somente porque os índices de 2019 foram exorbitantes, aponta o Observatório do Clima.

Apesar do governo apontar a presença das Forças Armadas na região como grande motor da redução do desmatamento, a região encontra-se, no momento, desprovida de uma ação centrada. Há denúncias de congelamento das fiscalizações do Ibama e ICMBio, principais autarquias ambientais do País, e a autorização da presença da Força de Segurança Nacional foi articulada, em tese, para acompanhar os órgãos de referência nas inspeções floresta adentro.

Com o início da estação seca no bioma a partir de maio, há apreensão sobre uma quarta alta consecutiva do desmatamento na região, aliada à maior chances de queimadas criminosas a fim de expandir terrenos rapidamente.

 

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