Alerta de desmatamento na Amazônia Legal em maio é o maior desde 2016

É o terceiro mês consecutivo que os índices batem recordes históricos mensais, aponta o Inpe

Os desmatadores 
têm licença para agir. Foto: Thomas Mendel/Amazônia Real

Os desmatadores têm licença para agir. Foto: Thomas Mendel/Amazônia Real

Sustentabilidade

A Amazônia Legal bateu mais um recorde de área sob alerta de desmatamento no mês de maio: até o dia 28, a região tinha 1.180km² de área sob alerta de desflorestação, o maior número para o mês desde 2016. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

 

 

É a primeira vez que a área sob alerta de desmatamento ultrapassa a marca dos mil quilômetros quadrados em maio. Em maio de 202 o alerta foi de 834 km²; em 2019, de 739 km²; em maio de 2018, 550 km²; em 2017, 363 km²; e em maio de 2016, 408 km².

Também é o terceiro mês consecutivo que os índices batem recordes históricos mensais. Em abril, o alerta de 581 km²até o dia 29 também já era o maior para o mês desde 2016.

A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro e engloba a área de 8 estados (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) e parte do Maranhão.

 

Dados são preocupantes, alerta Observatório do Clima

O Observatório do Clima, rede de 68 organizações da sociedade civil, afirmou, em comunicado, que os dados são preocupantes e alerta para uma inédita quarta alta consecutiva. “O mês de maio marca o início da estação seca, quando a devastação se intensifica, em grande parte da região amazônica. A permanecer a tendência nos próximos dois meses, a taxa oficial de desmatamento de 2021 (medida de agosto a julho) poderá terminar com uma inédita quarta alta consecutiva. O comportamento da curva dependerá exclusivamente de quem hoje dá as cartas na região: o crime ambiental”, atesta.

No posicionamento, a organização criticou o governo Bolsonaro e o desmonte de políticas de controle de desmatamento. “O regime Bolsonaro se dedica há dois anos e meio a desmontar as políticas de controle de desmatamento, enterrando o único plano que conseguiu reduzir a destruição, o PPCDAm (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia). A fiscalização do Ibama foi manietada, como mostraram neste ano documentos produzidos pelos próprios agentes; a gestão do antiministro Ricardo Salles virtualmente parou as operações do órgão – cuja cúpula acaba de ser afastada por suspeita de operar para madeireiros”, destaca em outro trecho.

O Observatório ainda criticou a postura de alguns governantes, que acabam ficando com as ações de combate ao desmatamento na ponta. “O problema é que alguns governadores parecem estar do lado dos desmatadores. Em Rondônia, o Coronel Marcos Rocha (PSL), aliado de Jair Bolsonaro, deu em maio um presente aos grileiros ao reduzir duas unidades de conservação no Estado”, grafa o posicionamento da organização.

“O grande problema da fiscalização e do combate ao desmatamento não é apenas falta de dinheiro; o que falta é governo”, afirma Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “O desmatamento neste ano será o que os madeireiros ilegais, garimpeiros criminosos e grileiros quiserem que seja. E, neste momento, eles não têm nenhum motivo para se controlar, já que o próprio governo federal, que deveria coibir a ilegalidade, os incentiva com atos e discursos”, conclui Astrini

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