Justiça

Traficante que mandou assassinar Mãe Bernadete morre na Bahia

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, Marilio dos Santos reagiu à ação de policiais que tentavam prendê-lo

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Reprodução/SSP-BA
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O traficante Marilio dos Santos, apontado como mandante do assassinato da ialorixá Bernardete Pacífico, morreu durante uma operação policial em Catu, na região metropolitana de Salvador (BA), nesta quinta-feira 16. Conhecido no crime pelo apelido de “Maquinista”, ele foi condenado a 29 anos de prisão pelo Tribunal do Júri na última terça-feira 14 e estava foragido.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do estado informou que Marilio foi localizado por equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar. Durante a tentativa de cumprimento do mandado de prisão, o homem teria atirado nos policiais e foi atingido. Chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Com ele, segundo a polícia, agentes apreenderam uma arma de fogo e munições. Procurada pela reportagem, a defesa de Marílio expressou surpresa com a morte dois dias após a sentença no Tribunal do Júri.

“Essa situação demonstra uma rápida resposta das autoridades após a condenação, encerrando definitivamente o caso pelas seguintes ações: responsabilização penal de Marilio e pelo óbito em confronto”, afirmaram os advogados Fábio Felsembourgh, Fábio Souza e Marcos Rudá, em nota.

O traficante era o único dos seis denunciados pela morte de Mãe Bernadete que ainda não havia sido localizado pela polícia.

Além de Marílio, a Justiça baiana condenou Arielson da Conceição Santos a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão em regime inicial fechado. Ele é apontado como um dos executores do crime, mas sua defesa nega participação e diz que recorrerá.

Maria Bernadete Pacífico foi assassinada em 17 de agosto de 2023 com 25 tiros na casa que funcionava como sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, distante cerca de 26 quilômetros da capital baiana. A líder religiosa estava com seus três netos quando foi atingida.

O crime foi provocado pela insatisfação de Sérgio Ferreira de Jesus, de 45 anos. Ele foi reprimido pela líder religiosa devido à exploração ilegal de madeira praticada na região. O homem, então, instigou e auxiliou integrantes da facção Bonde do Maluco a cometer o crime.

A ialorixá era uma das lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e uma voz ativa na defesa do território, na luta contra o racismo e na busca por respostas sobre a morte de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, assassinado em 2017 por defender as mesmas bandeiras da matriarca.

O assassinato da líder quilombola e referência do candomblé baiano ocorreu mesmo depois de a vítima denunciar frequentes ameaças. Ela, inclusive, fazia parte do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

O julgamento dos demais acusados pelo crime — Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus, Ydney Carlos dos Santos de Jesus e Carlos Conceição Santiago — ainda não tem data para acontecer.

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