Sindipetro comunica 2ª morte por Covid-19 em uma semana na refinaria Landulpho Alves

Vítimas têm 52 e 55 anos; sindicato acusa irresponsabilidade da administração da Petrobras

Wagner Plech faleceu por complicações da Covid-19. Foto: Reprodução/Sindipetro Bahia

Wagner Plech faleceu por complicações da Covid-19. Foto: Reprodução/Sindipetro Bahia

Sociedade

O Sindicato dos Petroleiros da Bahia comunicou a segunda morte por Covid-19 em uma semana entre trabalhadores da refinaria Landulpho Alves. Wagner Plech faleceu aos 52 anos, na manhã deste domingo 14. Ele ocupava um cargo de gerência e estava internado no hospital Cardio Pulmonar, em Salvador.

 

 

 

Há uma semana, outro trabalhador da refinaria também foi levado a óbito pelo coronavírus. Aos 55 anos, o técnico de operações Carlos Alberto tinha comorbidades e faleceu em 7 de março, no Hospital Aliança.

A entidade acusa a gerência geral da refinaria de “irresponsabilidade” e anunciou que vai entrar com ações judiciais no âmbito civil e criminal contra a gerência geral da refinaria.

Em nota, o Sindipetro disse que a administração da Petrobras não tem adotado as medidas necessárias para preservar a vida dos trabalhadores, como a identificação de profissionais com comorbidades para alocá-los em postos de teletrabalho.

O Sindipetro afirma que se reuniu com o Ministério Público do Trabalho e com representantes da Petrobras no último dia 10 de março, para cobrar ações mais rigorosas da gerência. No entanto, diz a organização, as solicitações não foram atendidas.

“Sobra irresponsabilidade na forma de gerir a unidade num momento tão delicado como esse. Faltam critérios firmes”, diz nota da entidade.

Segundo a Federação Única dos Petroleiros, pelo menos 80 trabalhadores já foram contaminados por coronavírus nas últimas semanas. Ainda assim, diz a FUP, a gerência insistiu em manter as paradas de manutenção, eventos cíclicos em que toda a produção é interrompida para a realização de atividades de revisão dos equipamentos. O procedimento colocaria em risco mais de dois mil trabalhadores aglomerados na unidade.

Somente após a deflagração de uma greve que a direção suspendeu as paradas de manutenção, de acordo com a Federação. Os trabalhadores estão paralisados há dez dias. Os profissionais haviam anunciado o movimento em 18 de fevereiro, mas o suspenderam durante alguns dias, retomando a mobilização em 4 de março.

Os petroleiros protestam contra a venda da refinaria para a Mubadala Capital, de Abu Dhabi, “a preço de banana”, conforme acusam. Eles reclamam de pendências trabalhistas na transação, que envolvem prazos, critérios e prioridades nas transferências de trabalhadores. Também requerem regras de indenização e um política de combate ao assédio moral dentro das unidades da estatal, entre outras pautas.

 

Petrobras: ‘Medidas seguem orientações de autoridades’

Procurada por CartaCapital, a Petrobras afirmou que lamenta o falecimento e que “vem acompanhando o agravamento da pandemia no Brasil”. A empresa afirmou que segue as orientações de autoridades sanitárias e desponibiliza “procedimentos robustos” em suas unidades.

Confira a nota na íntegra:

 

A Petrobras lamenta informar o falecimento de um empregado da Refinaria Landulpho Alves, por Covid-19, no sábado (13/3). Seu caso foi monitorado pelas equipes de saúde da Petrobras desde quando notificada. A companhia está prestando todo apoio aos familiares e, para garantia do sigilo médico e da privacidade dos colaboradores, não divulga informações detalhadas sobre os casos.

A Petrobras vem acompanhando o agravamento da pandemia no Brasil, com aumento de casos e de óbitos em todas as regiões do país. O estado da Bahia é uma das regiões mais afetadas com o aumento de casos, que se reflete também entre os colaboradores da Petrobras.

A Petrobras reitera o compromisso com a saúde e a segurança dos colaboradores e reafirma que vem adotando procedimentos robustos em todas as suas unidades desde o início da pandemia. Na Rlam foram adotadas como medidas preventivas após a declaração da pandemia: fornecimento e obrigatoriedade de uso da máscara; medição de temperatura na entrada da RLAM; utilização de formulário para autodeclaração antes do início da jornada de trabalho; testagem; disponibilização de álcool em gel em todos os setores e em todas as estações de trabalho, bem como nos banheiros, copas, refeitório, transportes e demais ambientes; limitação da ocupação não superior a 50%, com uso de máscaras nos transportes; redução do número de mesas e limitação da ocupação não superior a 50%, disponibilização de luvas e de sacos plásticos para guarda da máscara (durante a alimentação em refeitórios); turno de 12h em caráter excepcional; e teletrabalho para os empregados em atividades administrativas que podem ser realizadas de forma remota. A companhia também adiou em 14 dias o início da parada programada de manutenção da RLAM, que começaria em 15 de março. A companhia continuará monitorando a evolução da Covid-19 no estado da Bahia e avaliando diariamente, como vem fazendo desde o início da pandemia, a necessidade de implementação de outras ações, inclusive relacionadas à parada. Todas as medidas tomadas pela Petrobras seguem criteriosamente as orientações e determinações das autoridades públicas.

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Repórter do site de CartaCapital

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