Sindicatos analisam última proposta da Petrobras para acordo com empregados

Empresa promete não promover demissões nos próximos dois anos sem justa causa

Protestos de petroleiros contra demissões na Petrobras, em 2020. Foto: FUP

Protestos de petroleiros contra demissões na Petrobras, em 2020. Foto: FUP

Sociedade

A Petrobras anunciou, na terça-feira 25, a última proposta para os empregados que fizeram greve em fevereiro deste ano. A empresa promete aos seus sindicatos que não promoverá demissões sem justa causa nos próximos dois anos.

Conforme mostrou CartaCapital, após cinco meses da maior mobilização da categoria em 25 anos, o espaço de negociação com a empresa continua restrito.

Segundo a Petrobras, a nova proposta é resultado de negociações em reuniões realizadas a partir de 30 de junho. A grande maioria das cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) foi mantido, segundo a empresa.

A empresa assegura o reajuste econômico de 100% do Índice Nacional de Preços do Consumidor (INPC) no mês de setembro de 2021.

Por outro lado, de acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Petrobras manteve o reajuste zero para este ano, concedendo reajuste apenas no tíquete/vale refeição já em setembro de 2020.

Outras reivindicações foram atendidas pela Petrobras, diz a FUP, como a garantia dos descontos da Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS) no contracheque. O benefício segue mantido para aposentados e pensionistas que estiverem fora da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros). Porém, haverá mudança no custeio.

A negociação também resultou no compromisso de criar um Grupo de Trabalho para acompanhar o Teletrabalho na Petrobras, ou seja, o trabalho remoto em funções administrativas.

Categoria examina contraproposta

Os petroleiros ainda analisam a contraproposta da Petrobras. Em vídeo publicado na segunda-feira 24, o coordenador da FUP, Deyvid Bacelar, comemorou os avanços obtidos na negociação.

Uma live denominada “Encontro com a Categoria” com a presença de Bacelar foi exibida nas redes sociais da FUP, nesta quarta-feira 26, junto a Cibele Vieira, Paulo Cesar e Tadeu Porto, também diretores da Federação.

Um novo programa será transmitido às 18h30m da sexta-feira 28, após reunião do Conselho Deliberativo da FUP e Sindipetros, que definirá uma posição dos dirigentes para as assembleias sobre a última contraproposta. A Petrobras aguarda um posicionamento até 14 de setembro para fechar o novo acordo.

“Se vocês quiserem realmente ter uma garantia e segurança no emprego, é o acordo que a FUP conquistou”, afirmou Cesar. “Esse papo de migalhas: eu fui demitido, fiquei seis anos demitido, comi o pão que o diabo amassou. Quero dizer o seguinte: quando você for demitido, quero saber se é uma migalha a garantia do emprego.”

Para Cibele, a proposta “tem avanços consideráveis”. Apesar de pontos problemáticos, ela afirmou que faltam alternativas possíveis ao que a Petrobras apresentou.

“Tem que aceitar ou não a proposta, porque ela tem avanços consideráveis em relação à anterior, e talvez chegamos ao limite da mesa. É isso o que vamos concluir. Chegando no limite da mesa, ou você vai para um movimento, ou vai para um dissídio, ou uma greve para conseguir julgamento no Judiciário. Aí, será que viria uma estabilidade de dois anos, por exemplo? Vale a pena arriscar?”, disse.

 

 

 

 

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