Política

São Paulo: Ato das mulheres pede fim da violência e defende fim da escala 6×1

Uma instalação com sapatos lembra das vítimas de feminicídio

São Paulo: Ato das mulheres pede fim da violência e defende fim da escala 6×1
São Paulo: Ato das mulheres pede fim da violência e defende fim da escala 6×1
Ato de mulheres em 8 de Março de 2026 em São Paulo. Foto: Nelson Almeida/AFP
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Apesar da forte chuva que caiu na tarde deste domingo 8 em São Paulo, milhares de mulheres se reuniram na Avenida Paulista em ato que marcou o Dia Internacional da Mulher. Na capital paulista, elas saíram em caminhada até a Praça Roosevelt, segurando sombrinhas e muitas faixas que pediam pelo fim da violência contra as mulheres no País. O ato ocorreu simultaneamente em várias cidades brasileiras.

“Ô abre alas, que as mulheres vão passar. Com esta marcha muitas coisas vão mudar”, cantavam as manifestantes.

Por causa da intensa chuva, algumas das mulheres preferiram não seguir em caminhada, permanecendo embaixo do vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

“[Estamos aqui pelo] combate efetivo do feminicídio e da violência contra a mulher como um todo, porque não bastam só pacto, palavras, nota de apoio, a gente quer orçamento público e medidas efetivas. E isso a gente não viu avançar em nenhuma das esferas do Executivo, do Judiciário e do Legislativo”, disse Alice Ferreira, uma das fundadoras e coordenadoras do Levante Mulheres Vivas.

Durante o ato na Avenida Paulista, as mulheres também fizeram algumas intervenções independentes. Em uma delas, posicionaram diversos sapatos femininos pela avenida, representando vítimas de feminicídio do País.

“Tem também a das bonecas, que foi instalada em frente ao Fórum Pedro Lessa e que fala das crianças que também sofrem com toda essa misoginia, inclusive por conta do escândalo da quase legalização da pedofilia no Judiciário”, ressaltou Alice Ferreira, referindo-se ao caso de um desembargador que absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos em Minas Gerais.

Segundo a coordenadora do Levante Mulheres Vivas, o ato também pretende reforçar a importância da aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que pretende tipificar como crime a misoginia, que é conduta de ódio contra as mulheres.

“Enquanto o discurso feminista é boicotado pelas big techs, o discurso red pill [movimento de homens que usam a internet para promover discursos misóginos] é impulsionado. Então, criminalizar é o primeiro passo para começarmos a reverter essa lógica”, disse Alice Ferreira.

Só no estado de São Paulo, foram mortas 270 mulheres em 2025, alta de 96,4% na comparação com 2021. Esse foi um número recorde de feminicídios desde que teve início a série histórica, em 2018.

Outras pautas

Além do fim da violência e do feminicídio, as mulheres também protestaram pelo fim da escala 6×1, pelo fim da violência política e pelo fim do extremismo que busca controlar corpos e vozes femininas.

“O mote de São Paulo é pela vida das mulheres, pelo fim da escala 6×1 e em defesa da soberania e da autodeterminação dos povos”, explicou Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo.

Em entrevista à Agência Brasil, Luana Bife defendeu que o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho são temas extremamente importantes para as mulheres, principalmente porque muitas são responsáveis pelo cuidado e renda das famílias.

“A mulher tem uma escala 7 por 0. Então, hoje, para a mulher trabalhadora, o fim da escala 6×1 resulta não só em um período de descanso e autocuidado, mas também para ela decidir como quer estar no mundo.”

Para a ativista, problemas como a violência contra as mulheres e relacionados à falta de garantia de direitos devem ser enfrentados com políticas públicas.

“Tem que ser uma pauta permanente de defesa da vida das mulheres. E para isso são necessárias políticas públicas, que independem dos governos. A gente tem que ter firmes as políticas públicas e sociais que se destinam ao combate das violências contra as mulheres e as meninas”, ressaltou.

O ato, que recebeu o nome de Em Defesa da Vida das Mulheres, teve a participação de diversos movimentos sociais e sindicais, entre eles União Nacional por Moradia Popular, Movimento de Mulheres Camponesas, União Nacional dos Estudantes (UNE), Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros.

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