‘O que mais me preocupa é o silêncio dos artistas’, diz Felipe Neto

Em entrevista a CartaCapital, o youtuber explica o movimento 'Cala-Boca Já Morreu'

O youtuber Felipe Neto. Foto: Reprodução/YouTube

O youtuber Felipe Neto. Foto: Reprodução/YouTube

Sociedade

A fracassada investida bolsonarista para silenciar Felipe Neto resultou na criação de uma frente de advogados, dispostos a defender gratuitamente cidadãos acusados de atentar contra a segurança nacional por tecer críticas a governantes. Na entrevista a seguir, o influenciador digital explica como surgiu a iniciativa e lamenta a apatia dos artistas em relação à escalada autoritária no Brasil (leia a reportagem completa na edição impressa de CartaCapital). “Poucos combatem Bolsonaro e toda política genocida praticada pelo governo federal.”

CartaCapital: Desde quando você recebe ameaças de bolsonaristas?

Felipe Neto: Recebo ameaças desde 2017, quando comecei a publicar coisas sobre aquele deputado homofóbico e defensor de milícias no Rio de Janeiro. Na época, ele tinha poucos seguidores. Hoje, as ameaças são constantes.

CC: Como surgiu a ideia de criar uma frente de advogados para defender outros acusados?

FN: A ideia surgiu após a intimação que recebi da Polícia Civil, informando que eu teria de depor na delegacia após notícia-crime feita pelo Carlos Bolsonaro, em que eu era acusado de crime contra a segurança nacional. Percebi que aquele método de intimidação pretendia atacar a sociedade civil como um todo, silenciando o povo. Naquela mesma noite conversei com os melhores advogados que conheço e propus a ideia de criarmos o “Cala-Boca Já Morreu”.

CC: Por que a sociedade civil parece tão apática em relação aos esbirros autoritários de Bolsonaro?

FN: Existem inúmeros fatores culturais que levaram o povo brasileiro a agir como age hoje, dentre eles a própria admiração pelo autoritarismo, que está muito presente em diversas camadas da população.

Contudo, o que mais me preocupa é o silêncio daqueles que sempre se posicionaram: os artistas. Poucos combatem Bolsonaro e toda a política genocida praticada pelo governo federal.

CC: Esses ataques o intimidaram de alguma forma?

FN: Eu não me sinto intimidado, porque conto com uma estrutura de apoio muito forte. Esses ataques só serviram como combustível para que eu atuasse de forma muito mais contundente. Eles não vão nos silenciar.

CC: Você teme que Bolsonaro possa dar um golpe?

FN: Bolsonaro não tem apoio sequer da ala militar. Não acredito que tentaria algo tão estúpido. A família Bolsonaro não cansa, porém, de nos surpreender com os limites de sua própria burrice. A todo momento, eles fazem algo novo que deixa todo mundo chocado com tamanha falta de raciocínio lógico. Se Bolsonaro tentar aplicar um golpe, será o
último tiro no pé numa série gigantesca de tiros no pé que essa família vem dando desde o primeiro dia de governo.

Publicado na edição nº 1150 de CartaCapital, em 25 de março de 2021
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Editor de CartaCapital

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