Justiça
O apelo de Fachin contra feminicídios: ‘Que o silêncio seja substituído pela denúncia’
O presidente do STF defendeu também o apoio às vítimas e a exigência de responsabilização
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira 3 que o Judiciário está preocupado com os “estarrecedores” episódios de violência contra a mulher. Ele defendeu a substituição do silêncio e do preconceito pela denúncia.
A manifestação ocorreu após episódios como o feminicídio da professora Catarina Karsten, em Florianópolis (SC). Aos 31 anos, ela foi assassinada após sofrer violência sexual enquanto fazia uma trilha na Praia do Matadeiro.
“Os dados alarmantes registrados todos os anos a respeito da violência de gênero no Brasil demonstram que mulheres e meninas têm medo de sair de casa e não voltar, enquanto outras têm medo de ser agredidas em seus locais de trabalho ou de permanecer em seus lares, o local onde mais sofrem agressões”, afirmou Fachin.
Em São Paulo, dois casos de violência contra a mulher tiveram grande repercussão nos últimos dias. No sábado 29, uma mulher de 31 anos foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro. O motorista foi preso e a polícia indica se tratar de feminicídio. Na segunda-feira 1º, um homem atirou, usando duas armas, contra uma ex-companheira na pastelaria em que ela trabalhava.
No Recife (PE), um homem de 39 anos foi preso no último sábado 29 após atear fogo na casa onde estava sua mulher — grávida — e os quatro filhos do casal. Isabele Gomes, de 40 anos, e as crianças, com idades entre 1 e 7 anos, morreram.
“Renovamos o apelo urgente por uma mudança cultural profunda: que o Brasil reconheça, sem hesitação, a gravidade da violência de gênero; que o silêncio, o preconceito e a naturalização de atitudes machistas sejam substituídos pela denúncia, pelo apoio à vítima e pela exigência de responsabilização“, completou Fachin.
Segundo dados do Ministério das Mulheres, houve registros de 1.450 feminicídios e 2.485 homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte contra mulheres no ano passado.
(Com informações da Agência Brasil)
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